Max Cavalera: ele diz não ser hipócrita para comentar a política no Brasil
Por Bruce William
Fonte: gauchazh
Postado em 06 de novembro de 2018
Durante conversa com Carlos Rollsing, do Gauchazh, Max Cavalera fala da turnê onde ele e seu irmão Igor tocam clássicos dos discos "Beneath the Remains" e "Arise", do Sepultura, comenta suas outras prioridades musicais, como o novo lançamento do Soulfly, faz uma análise da sua relação com a idade - ele tem quase 50 anos de idade - e explica estar ansioso por lançar um "disco perfeito", confira abaixo alguns trechos:
Como surgiu a ideia da turnê e por que escolheram os discos Beneath the Remains e Arise para batizá-la? Por que não, por exemplo, Arise e Chaos A.D. ou ainda Morbid Visions e Schizophrenia?
Max: O Beneath the Remains e o Arise, musicalmente e tecnicamente, são bem parecidos. Uma fase de ouro do Sepultura, de 89 a 91, aquela mistura de thrash metal com death metal. Foi o ápice dessa mistura. E resolvemos fazer os dois juntos porque tinham algumas músicas de encher linguiça, como Hungry e Subtraction. Na época do estúdio, a gente estava acabando de fazer o disco e tinha acabado a inspiração, mas tinha de colocar mais música no álbum. Acabamos escrevendo músicas meio de jogar fora...
Quando você e Iggor se reaproximaram (os irmãos Cavalera ficaram brigados por 10 anos após Max deixar o Sepultura), ele estava mais inclinado a fazer coisas novas e viver de outros estilos de música. A volta da parceria entre vocês fez com que ele se mantivesse no heavy metal. Qual o futuro dos irmãos Cavalera na música? O Cavalera Conspiracy e o Soulfly seguem em frente?
Max: Tocar metal com o Iggor, pra mim, é coisa da veia. Começamos juntos há 30 anos. Nunca perdemos nosso amor pelo metal. Eu respeito o Iggor por ter ideias diferentes, experiências em outros tipos de música. Ele faz o MixHell, que é mais eletrônico, tudo mais barulheira eletrônica. O Iggor sempre foi dessa praia de gostar de coisas diferentes. Eu sou mais conservador, sou metal. Gosto das bandas de thrash metal, death metal. Gosto muito de coisa nova que está rolando hoje em dia no cenário mundial de metal. Mas, quando nos juntamos para fazer coisas juntos, é muito legal. O Psychosis, para mim, é o disco mais legal que o Cavalera Conspiracy já fez até hoje. Eu colocaria ele pau a pau com o Arise. Acredito muito na força desse disco, só ainda não deu tempo de fazer turnê em cima dele. Ano que vem a gente vai tentar pegar uma turnê americana e europeia do Psychosis. O legal é que a gente continua com tesão em tocar metal. Eu continuo com a minha busca pelo disco mais foda do mundo feito por mim até hoje. Eu acho que esse disco não veio ainda, apesar de ter feito muitos trabalhos legais. Eu estou com fome, na caça desse disco perfeito. Tá pra vir ainda. Eu adoro o que faço. O metal pra mim não é hobby. É estilo de vida.
Você, ao longo da carreira, escreveu diversas letras de cunho político. Mesmo morando nos Estados Unidos, como avalia o momento do país e a eleição de Jair Bolsonaro?
Max: É um pouco difícil de comentar, eu sou meio ignorante, não conheço os candidatos. Eu sei que rolou muita coisa ruim. O Lula indo preso, o PT, a roubalheira. Acho que o pessoal tá de saco cheio. Isso acontece no mundo inteiro. Chega um limite em que as pessoas não aguentam mais. E aí precisa de mudança. Para opinar, fico meio como hipócrita, não vivo aqui. Mas eu fiz uma música nesse disco novo do Soulfly que se chama 'Evil empowered' (Mal com poderes), que é sobre a corrupção. Todos os que viram presidentes ou líderes, eles meio que sofrem a doença da corrupção. Eu odeio política, odeio políticos. É muito raro ver um honesto. Ao mesmo tempo, eu quero o melhor para o Brasil. Eu acho que o Brasil mudou muito desde a época em que morei aqui (saiu do Brasil no início dos anos 90). Tá bem mais avançado, as cidades estão maiores, com mais estrutura.
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