Paulo Coelho: ele duvida de documento que sugere que Raul Seixas o entregou à ditadura
Por Igor Miranda
Fonte: Twitter / G1
Postado em 25 de outubro de 2019
O escritor Paulo Coelho voltou a falar sobre o documento que sugere que o vocalista Raul Seixas o entregou para a ditadura militar na década de 1970. O assunto veio à tona após um trecho do livro "Raul Seixas - Não Diga que a Canção está Perdida" (Todavia), de Jotabê Medeiros, ter sido divulgado em uma reportagem do jornal "Folha de S. Paulo".
"Começo a ter sérias dúvidas dos documentos que o Jotabê Medeiros me enviou, dizendo e insistindo que Raul tinha me denunciado (emails arquivados). O que se passou entre Raul e eu fica entre nós. Vou deletar o tweet da FSP [jornal 'Folha de S. Paulo']. Acho que o cara quer apenas vender a p*rra do livro", disse Coelho, na rede social Twitter.
Jotabê Medeiros disse, em entrevista ao site G1, que o documento foi apresentado a ele pelo próprio Paulo Coelho, anexado a uma tese de doutorado. "É um absurdo que ele esteja falando isso. O Paulo me disse que pelo documento o Raul havia sido incumbido de vigiar ele. Bom, eu fui até o Arquivo Público do Rio de Janeiro e peguei o documento, ele achava que poderia ser inventado. O original está lá, eu tenho fotos, o número da pasta, tudo", afirmou o escritor.
O autor completa: "Quando eu vi o documento ponderei que ele não era conclusivo, e o livro diz que ele não é conclusivo. Ele indica que a ditadura determinou que o Raul fosse contatado, mas não se sabe se foi verdade. O Paulo provavelmente surtou, não sei o que aconteceu com ele. Eu não assumi a questão da delação, ele achava que eu fosse assumir".
A suposta delação
Conforme apontado pelo jornal Folha de S. Paulo, o livro escrito por Jotabê Medeiros aponta que a situação aconteceu em 1974, um ano após Raul Seixas lançar o bem-sucedido álbum "Krig-ha, Bandolo!" (1973), que conta com colaborações de Paulo Coelho.
De acordo com a obra, Raul Seixas foi intimado a dar um depoimento no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e chamou Paulo Coelho para acompanhá-lo. A ideia era que os dois prestassem esclarecimentos sobre as músicas que fizeram juntos.
Porém, não era a primeira vez que Raul Seixas visitava o Dops. Segundo o biógrafo, a distância entre as datas das duas visitas era bem pequena.
Raul Seixas ficou no local por meia hora e voltou "tentando dar algum recado cifrado ao amigo, que o esperava". A reportagem da "Folha" aponta que, segundo o livro, Paulo Coelho acabou não entendendo a mensagem e foi ao interrogatório, que "incluiu perguntas sobre o livreto que acompanha o disco 'Krig-ha, Bandolo!' e a Sociedade Alternativa cantada por Raul".
Paulo Coelho acabou detido na ocasião. A polícia prendeu, ainda, a namorada do escritor, Adalgisa Rios. "No dia seguinte, quando liberado, Coelho pegou um táxi com Raul, mas foi capturado novamente e levado para um lugar desconhecido, onde sofreu torturas por duas semanas", afirma a reportagem.
A situação sempre foi tratada como suspeita, já que os documentos oficiais são inconclusivos. Os papéis dizem que seria possível chegar a Paulo e Adalgisa "por intermédio do referido cantor" (Raul Seixas). Alguém, de fato, "dedurou" o casal, mas não se sabe se foi o "Maluco Beleza".
Raul evitou contato com Paulo por um ano, mas eles se reaproximaram e trabalharam em outras músicas juntos entre 1975 e 1978. O afastamento definitivo aconteceu após a entrada de ambos para a seita do sacerdote Marcelo Motta, influenciada por Aleister Crowley.
Embora o mergulho aos ideais ocultistas tenha gerado clássicos como "Tente Outra Vez", Paulo Coelho entrou em conflito com Raul Seixas porque o cantor "mergulhou fundo demais naquele ideário", segundo Jotabê Medeiros à "Folha".
Pelo Twitter, Paulo Coelho já havia se manifestado brevemente sobre a reportagem. "Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levava segredo para o túmulo", afirmou. Em outra mensagem, declarou: "Não confirmei e não confirmo nada. Eu apenas vi o documento e me senti abandonado na época. Por isso que não quis dar entrevista".
'O cara perigoso era o letrista'
Durante entrevista concedida à "BBC Brasil" em setembro, Paulo Coelho relembrou a prisão e a tortura que sofreu em 1974, sem mencionar que teria sido "dedurado" por Raul Seixas. "Os militares não entendiam as minhas músicas. Eles diziam 'Quem são esses caras aí? Raul Seixas e Paulo Coelho. Alguma coisa está errada porque a gente não entende o que eles estão falando'. Então, chamaram o Raul para depor. O Raul era o cantor. Como diz o Elton John, 'Don't Shoot Me, I'm Only the Piano Player' (Não atire em mim, eu sou apenas o pianista). Mas a eminência parda, o cara perigoso, o ideólogo era o letrista. Então eles me prenderam. Agora, tem que justificar uma prisão. Não acharam nada", afirmou.
Ele completou: "Quando eu estava preso oficialmente, fichado, com impressão digital, meus pais conseguiram mandar um advogado. Aí, me soltaram no mesmo dia e me sequestraram em frente ao aterro do Flamengo. Me arrancaram do táxi, me jogaram na grama, me botaram a arma. Eu estava entregue. Aí eu fui torturado, apanhei, essas coisas todas."
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