Brutal Morticínio: entrevista com Torment e Chris

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Por Wagner Machado dos Santos, Fonte: Wagner Machado dos Santos, Press-Release
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Os grilhões do inferno certamente se movem no submundo quando a banda Brutal Morticínio inicia seus hinos profanos nessas terras miseráveis que habitamos. O vazio e o desespero fazem parte de sua música e isso preserva sua identidade registrada no Pagan Black Metal. A banda Brutal Morticínio fala sobre costumes antigos e conhecimentos ocultos, o caminho da mão esquerda deve estar presente em muito do que é ouvido nessas letras.

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Formação:
Torment - Baixo e Vocal
C. Humberaht - Guitarra
Chris Podreira - Bateria

Gêneros como Suicide, Depressive e Pagan Black Metal soam muito próximos uns dos outros mas com a Brutal Morticínio isso soa diferente, como isso é dosado no momento da composição?

Tormento: Saudações! Acredito que com o passar do tempo o Brutal Morticínio adquiriu uma característica bem própria. Uma sonoridade característica. É possível ver nos mais diversos álbuns e sons que foram produzidos pela banda estas influencias citadas. Um pouco mais dosada de um lado ou outro dependendo da fase, entretanto essa característica da banda acaba preponderando, pois quando um som destoa muito, podemos notar que não é parte integrante do Brutal Morticínio.

Chris: Acrescentando... Acho que desde o início a ideia era fazer um som que fugisse um pouco do "habitual". Embora tenha influências fortes, tentamos fazer um som que para nós é agradável. O fato de ter muitas formações também colabora, uma vez que cada um coloca sua preferência nas composições.

Ter lançado um K7 recentemente traz um intuito retro para banda ou apenas um sovinir, certamente os fãs devem ter adorado está ideia, fale sobre isso.

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Tormento: Foi mais ou menos uma volta as raízes. Há um certo saudosismo em produzir tapes, uma certa tradição nisso. Particularmente não tenho essa idealização passado como muitos tem, principalmente se tratando de pessoas ligadas ao metal extremo. Era outra época, com seus prós e contras, apenas isso. Gosto dessa idéia de material com cara de histórico. O Brutal Morticínio surgiu na época dos CDs e não havia nenhum registro da horda nesse formato. A idéia sobre o álbum também era fazer um paralelo e estabelecer esse paradoxo. Simultaneamente o álbum é o primeiro a sair exclusivamente (até o momento) apenas em tape e nas mídias como spotify e outros. Ao mesmo tempo que o álbum AnIndegenous War Black Metal Front tem uma sonoridade anos 90 ele também é o primeiro a adentrar de maneira oficial em um outro formato de se ouvir música, mais típico de nossa década.

Chris: A ideia surgiu debatendo o assunto conforme o trabalho ia avançando. Para a banda também acabou sendo uma "novidade" já que é a primeira vez que sai um trabalho nesse formato, alem das mídias. Os fãs gostaram bastante da ideia e já foram enviados alguns pedidos pelo Brasil.

A gravadora RottenFlesh Records está em processo de execução com o tributo ao Iron Maiden e a Brutal Morticínio está confirmada no cast, quais são os planos para a faixa "From Here To Eternity"?

Tormento: Iron Maiden é uma grande influencia na adolescência, quase pré adolescência. Ainda possuo os vinis que ouvia a época. Nunca me imaginei tocando um som do Iron, por mais que fosse uma influencia de tanto tempo. A idéia da o from here to eternity é basicamente aproximar o clássico da banda inglesa para o formato do som que tocamos. A música ainda está em fase de testes por nós, mas provavelmente terá uma cara um pouco mais obscura, que é uma das marcas do Brutal Morticínio.

Chris: Vejo com bons olhos, tanto pela propaganda que vai trazer a banda quanto pela homenagem, apesar de não ser muito parecido ao nosso estilo, o que torna tudo ainda mais divertido. Estamos testando algumas ideias. É uma banda que marcou na adolescência. Esperamos colocar nossa identidade no som e honrar a oportunidade.

A banda esteve afastada dos palcos e em 2020 retorna a todo vapor sendo anunciada em um tributo muito expressivo, além desta faixa podemos esperar por novas composições?

Tormento: Estivemos um pouco afastados realmente. Tomamos por vezes decisões de fazermos eventos que realmente valorizassem a horda e isso significa nem sempre estar disponível em todos os eventos, além disso, a banda passou por mudanças na formação o que também poderia atrapalhar um desempenho melhor da mesma nos palcos. Estamos trabalhando em novas músicas tudo bastante embrionário ainda, entretanto temos ainda músicas inéditas que não foram lançadas originalmente no AnIndegenous War Black Metal Front, esperamos o momento certo para lança- las. Provavelmente ainda em 2020 lançaremos alguns sons inéditos. Ainda estamos discutindo qual será o formato mais adequado para o lançamento. Estamos estudando com algumas distros e gravadoras o melhor modo de fazermos isso.

Chris: Infelizmente tem coisas que ficam fora do nosso alcance algumas vezes. Optamos por fazer poucos shows e a banda mudou a formação o que atrapalhou um pouco. As composições estão saindo e provavelmente esse ano deve ter coisa nova saindo.

Chris: O lineup da banda teve alterações desde a sua última apresentação, a que se deve isso?

Tormento: Lidar com pessoas nem sempre é fácil. A banda teve inúmeras formações. Por vezes a gente acaba dividindo o palco com a pessoa e nem sempre sabe exatamente o que ela pensa. Não há um pensamento único na banda a divergência em alguns temas isso é tranqüilo, mas certas posturas são importantes para nós. Certos tipos de pensamentos não serão tolerados pelos membros da banda. Claro, não são todos os ex membros que tivemos algum problema, muitos tem uma boa relação conosco e acabaram deixando por outros motivos. O Brutal Morticínio é bem real e as pessoas que estão tocando na banda tem de ser reais também em sua postura.

Chris: A banda já passou por diversas mudanças na formação, então são vários os motivos de ter acontecido. A última mudança ocorreu de forma amistosa. Como pessoas, temos uma vida onde algumas prioridades aparecem e mudam algumas coisas. Mas também temos uma linha de raciocínio que seguimos fielmente. Para tocar na banda tem que estar ciente disso.

O Bandcamp será a nova aposta da Brutal Morticínio em 2020 para campanha de marketing, o que teremos para o merchandising através desta plataforma?

Tormento: Pretendemos cada vez mais usar as plataformas digitais como um todo. Acredito que estamos mudando a forma de ouvir música. Lembro de quando começamos a divulgar a banda através da internet , muitos torceram o nariz para a idéia, mas agora é uma realidade imposta. Estas plataformas são importantes para aproximar as pessoas que tem uma compreensão do som e na identidade lírica e que estão distantes fisicamente.

Tormento: Quanto ao merchandising , pretendemos focar na distribuição das tapes e também das camisetas da banda, enquanto estamos finalizando o nosso próximo álbum, como comentamos , ainda estamos decidindo o formato em que será produzido.

Chris: As plataformas digitais se já não forem, estão hoje, entre as principais formas de divulgação, marketing etc. Pretendemos seguir usando essas plataformas. Muitas pessoas têm acesso a banda através das plataformas. O merchandising vai ter um foco na venda do nosso trabalho mais recente alem das camisetas e patchs.

Desde a primeira faixa lançada pela banda até seu último lançamento houve uma crescente na produção musical sem perder o conceito do Pagan Black Metal, teremos mais disso nas novas composições?

Tormento: Sim, como falamos anteriormente, ao longo dos anos a banda foi adquirindo uma identidade própria em sua sonoridade. Claro, cada pessoa que passa pela banda acaba dando a sua contribuição, mas de uma maneira geral ela tem a sua identidade. O nosso conceito de pagan também é diferente. Temos a idéia pagã e sua defesa ligada aos povos originais da America latina. Não nos prendemos especificamente a uma cultura em particular, mas todos os povos que habitaram ou habitam a América. Não se trata de superioridade ou qualquer outra besteira desse tipo. Trata-se da valorização de instigar quem está imerso na cultura Black metal o conhecimento sobre esse povos, sobre o nosso passado. Para que sirva, mesmo que de maneira rudimentar de um ponto inicial para o enfrentamento mais concreto do cristianismo, para que minimamente possamos enxergar de onde vem os seus golpes.

Tormento: Quanto a parte mais musical a banda passou por transformações. Os músicos da formação atual tem uma vertente um pouco mais técnica, tem um estudo um pouco as aprofundado dos seus instrumentos. Posso adiantar que as próximas produções terão também essa cara. Uma musicalidade um pouco mais voltada para a técnica, sem perder a agressividade característica da banda.

Chris: Sim. A tendência é que com o tempo a banda ganhe cada vez mais uma identidade assim como o entrosamento vai melhorando. Do primeiro trabalho p/ cá evoluímos bastante como músicos e como banda. As composições saem de forma mais natural.Tentamos não fugir muito da sonoridade mas sempre buscamos fazer melhor.

A banda parece manter uma entidade fria e nebulosa nas letras, o ocultismo é parte do foco das letras?

Tormento: Sim, faz parte, embora não seja tratado da forma tradicional, digamos assim. A idéia central da banda em suas letras sempre esteve ligado aos povos originais e demais populações marginais da America Latina. Não temos um compromisso com essa dualidade que é estabelecida pelo cristianismo/Europa. O nosso compromisso sempre teve mais a ver com estes povos as suas lutas, credos e também contradições. Acreditamos que o Metal e sobretudo o Black Metal contem em seu DNA essa idéia filosófica que é a raiz da destruição do cristianismo que sempre agiu de maneira nociva em nossa América. Qualquer coisa que destoe muito disso, que se afaste muito dessa idéia de questionamento e destruição da cultura ocidental/cristã é uma farsa é algo que foi corrompido. Bandas de withe metal e de NSBM são claramente isso, Posers e não devem ser de maneira alguma toleradas em nosso meio.

Chris: Não acho que seja o ponto principal. Mas faz parte também. O foco da temática está mais ligado aos povos latino-americanose a destruição causada pelo cristianismo em suas diversas formas, do nosso ponto de vista.

Chris: Agradecemos o espaço. Fiquem atentos. 2020 promete e vem muita coisa por aí. Saudações aos verdadeiros.

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