Audioslave: como foi trocar Zack de la Rocha por Chris Cornell, segundo Tom Morello
Por Igor Miranda
Postado em 18 de agosto de 2020
A transição do Rage Against the Machine para o Audioslave pode ser considerada brusca para alguns. O guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk deixaram de tocar com o vocalista Zack de la Rocha para se juntar ao então frontman do Soundgarden, o saudoso Chris Cornell, nos deixou em maio de 2017, aos 52 anos.
A parceria retratada no Audioslave durou entre 2001 e 2007, deixando três álbuns de sucesso, além de vários shows. Em entrevista ao canal da Rolling Stone no YouTube, com transcrição do Ultimate Guitar, Tom Morello relembrou como foi a mudança entre trabalhar com Zack de la Rocha e com Chris Cornell logo em seguida.
"Chris nos salvou. Na verdade, a gente salvou um ao outro. Nós estávamos meio à deriva, com muitas frustrações. Tentávamos lidar com isso e compor música. Fizemos o primeiro álbum (autointitulado, de 2002) tão rapidamente", afirmou Morello, inicialmente.
O guitarrista destacou o quanto Chris Cornell era único. "Nunca conhecemos um vocalista com aquele tipo de habilidade inata de conjurar uma melodia bela e assustadora, ao mesmo tempo, de forma tão natural. Nunca vi isso. Rick Rubin, que produziu nosso primeiro álbum, dizia: 'vocês não sabem o tamanho da sorte que têm'", contou.
Em seguida, Tom Morello fez uma comparação breve entre os dois vocalistas com os quais trabalhou. "Fomos de um dos melhores frontmen e letristas de todos os tempos, Zack de la Rocha, para um dos maiores cantores do rock como um todo", declarou.
O talento de Cornell se estendia, claro, ao processo de criação. "Seja uma progressão simples de três acordes ou um riff complicado na guitarra, Chris criaria, sem esforço, uma grande música a partir daquilo. Trabalhávamos em torno desse tipo de genialidade", afirmou.
Por fim, o aspecto pessoal também é mencionado por Morello. "Ele também era um grande cara. Sua genialidade consistia em explorar os cantos mais sombrios de sua psique - e eles estavam lá, com abundância, alimentando suas melhores músicas e fazendo com que ele se tornasse alguém, de certa forma, impossível de se conhecer por completo. Todos os dias sinto falta daquele cara. Ainda é horrível. A partida dele é uma ferida incurável", concluiu.
A entrevista pode ser conferida na íntegra, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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