AC/DC: eles tentavam cooptar fãs antes de viciarem em Pink Floyd na faculdade
Por Igor Miranda
Postado em 18 de janeiro de 2021
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
O AC/DC é uma das bandas mais "diretas" do rock. Desde o início, a premissa musical é a mesma: apresentar um hard rock fortemente influenciado pelo blues, sem tanta complexidade nas letras ou nas melodias. E dá muito certo.
Em entrevista à Rolling Stone, o guitarrista Angus Young revelou que essa proposta artística era usada para convencer os fãs em algum momento de suas vidas. Eles buscavam, em especial, seduzir esse público em potencial antes de entrarem para a faculdade e serem conquistados pelo Pink Floyd, com seu rock progressivo mais elaborado.
Tal mentalidade vinha, inclusive, do saudoso guitarrista Malcolm Young, irmão mais velho de Angus e o verdadeiro líder do AC/DC. "Mal", como era chamado, também era o responsável por consolidar a sonoridade básica do AC/DC, de poucas mudanças ao longo de sua carreira.
"Malcolm costumava dizer: 'sim, dizem que soamos a mesma coisa - porque somos a mesma banda, nós somos assim'. Nunca quisemos conquistar território que não fosse nosso. E Malcolm sempre dizia: 'nós vamos pegá-los (o público) em algum momento... podemos pegá-los antes de irem para a faculdade e curtirem Pink Floyd ou algo assim' (risos). Mas nós os pegamos ainda na juventude", comentou Angus.
Outra característica que marcou a carreira do AC/DC é a aversão às tendências musicais. A banda nunca buscou se adequar ao que estava na moda, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, quando muitos de seus contemporâneos no rock mudaram seus estilos para se alinhar ao que era tocado nas rádios e na MTV.
Angus atribuiu esse conceito a George Young, irmão mais velho dele e de Malcolm, que produziu vários álbuns no início do AC/DC. Ainda na década de 1960, antes de seguir como produtor, George ficou famoso como integrante do grupo pop/rock The Easybeats - então, ele sabia do que estava falando.
"Ele (George) dizia que se conformar (com as tendências) era como receber o beijo da morte. Ele sempre dizia que isso era o beijo da morte para qualquer uma das grandes bandas. Ninguém gosta de ver uma banda chegando e depois mudando quem são, tentando ser quem eles não são. Então, ele sempre dizia: 'é tão poderoso poder tocar ao vivo, então, a arte é transmitir esse poder em um disco e fazer justiça a ele'", afirmou Angus.
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