James Hetfield, do Metallica, estranhou o "fedido" Lars Ulrich ao conhecê-lo
Por Igor Miranda
Postado em 17 de fevereiro de 2021
O Metallica foi criado a partir da união de dois músicos com origens bem distintas. O vocalista e guitarrista James Hetfield é americano e vinha de uma família humilde, tendo um pai caminhoneiro e uma mãe cantora, enquanto o baterista Lars Ulrich, dinamarquês, foi criado em boa condição financeira - o pai e o avô eram tenistas conhecidos.
Em uma antiga entrevista à Classic Rock Magazine, concedida em 2009 e resgatada agora pelo site da revista, Hetfield refletiu sobre as diferenças iniciais entre ele e Ulrich. O músico também contou como os dois se conheceram e fez comentários sobre sua própria personalidade naqueles tempos de juventude.
Inicialmente, James comentou que conheceu Lars quando ainda estava no colegial. "Eu tocava guitarra com um amigo e tentava fazer uma banda chamada Phantom Lord seguir em frente. Respondemos a um anúncio de Lars no jornal e nos conhecemos em um pequeno armazém em algum lugar", afirmou.
O baterista não era bom em seu instrumento, mas tinha um diferencial, na visão do colega de banda. "Ele montou a bateria e não era muito bom, mas tinha motivação, tinha conhecimento. Ele tinha o ímpeto e as aspirações que eu tinha", declarou Hetfield.
O frontman do Metallica, então, foi convidado a comentar sobre as diferenças culturais entre os dois. "Extremamente diferentes. Além de ele não tocar bem na época, saíam alguns cheiros diferentes dele (risos). O estigma de ser europeu é que lá não se fabrica sabão e ninguém toma banho", declarou.
Em seguida, ele completa: "A casa dele tinha uma vibração diferente. Muito amigável e aberta. Minha casa era muito elitista, muito fechada. Se você não acreditasse em nossa religião (Ciência Cristã)... não recebíamos muitas visitas. A casa de Lars era o oposto. Bem hippie, bem do tipo 'chega mais'".
James Hetfield evitou dizer que Lars Ulrich era "mimado", mas por ser filho único, o baterista tinha muitos discos em casa. "Eu entrei e não acreditei. Eu tinha a minha pequena pilha de discos, enquanto ele tinha uma parede inteira no quarto repleta de coisas. Ele ia à loja de discos e dizia: 'quero dar uma olhada nesses caras'. Eu não conseguia bancar isso. Mas, cara, eu comecei a gravar fitas a partir de tudo que ele tinha", afirmou.
Apesar da família de Lars ser bastante convidativa, James ainda lidava com uma forte timidez. "Eu era muito retraído, não acreditava no mundo, devido aos acontecimentos em minha vida na infância. Depois, a bebida me ajudou a quebrar um pouco disso, mas no fim das contas isso foi pior. Eu cavaria um buraco ainda mais fundo para mim", disse.
Os problemas familiares de James Hetfield na infância começaram no ano de 1976, quando ele tinha 13 anos de idade. Na época, os pais dele se divorciaram e o pai nunca mais deu as caras. Dois anos depois, em 1978, a mãe morreu de câncer - por acreditar na Ciência Cristã, ela recusava qualquer tipo de tratamento médico. Hetfield, ainda adolescente, precisou ir morar na casa de um de seus meios-irmãos mais velhos.
Com dificuldades para se relacionar com outras pessoas e um passado familiar traumatizante, o frontman do Metallica enxergou em sua banda uma verdadeira família. "Eu estava buscando por pessoas com as quais eu me identificava. Não me identificava com minha família, que se desintegrou diante de mim. Há uma parte de mim que anseia por família e outra parte onde simplesmente eu não suporto pessoas. No fim das contas, eu me sinto como esse lobo solitário, mas eu tenho esse sentimento de que preciso de família, só não o tempo todo", comentou.
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