Por que Judas Priest não fizeram o mesmo sucesso que o Iron Maiden, segundo K.K.
Por Igor Miranda
Postado em 23 de junho de 2021
O Judas Priest é uma das grandes bandas da história do heavy metal. Entretanto, os próprios integrantes reconhecem, com base em números, que o lendário grupo não conquistou a mesma popularidade que o Iron Maiden, colega de gênero musical que surgiu, também no Reino Unido, anos depois do Priest.
Por que isso ocorreu, tendo em vista que as duas bandas são tão representativas dentro do cenário heavy metal? Em entrevista ao podcast Talk Toomey, com transcrição via Ultimate Guitar, o ex-guitarrista do Priest, K.K. Downing, compartilhou seu ponto de vista sobre o assunto.
O assunto teve início quando Downing elogiava "o poderoso Iron Maiden". "Deveria ter surgido mais bandas britânicas junto de Judas Priest, Iron Maiden, Black Sabbath, Saxon... talvez esse momento chegue. [...] Parabéns a esses caras do Iron Maiden por serem gigantescos. Tenho muito respeito e os elogio por sua ética de trabalho. Eles rodam e rodam pelo mundo, de onde vem tanta energia?", declarou.
O responsável por conduzir a entrevista apontou que, em sua visão, K.K. Downing parecia sentir um pouco de ciúmes do Iron Maiden ao retratar a banda em sua autobiografia, "Heavy Duty". A obra foi lançada no Brasil por meio da editora Estética Torta.
O músico não falou sobre esse "pouco de ciúmes", mas reconheceu que o Maiden acertou em pontos da carreira onde o Priest, infelizmente, errou. "Preciso dizer que o Iron Maiden acertou em um monte de coisas que não fizemos de forma tão certa, eu acho. Mas ainda sinto muito orgulho do que fizemos", respondeu.
Judas Priest eclético: um erro?
Na visão de K.K. Downing, o Judas Priest era "muito eclético" com seus álbuns - e havia uma razão para isso. "Fizemos algumas coisas novas e tudo o mais, pois sentíamos, lá no começo, que era nossa função ampliar o espectro da base de fãs para o heavy metal. Fizemos músicas como 'Blood Red Skies' ou 'Living After Midnight', há muitas delas", disse.
De acordo com o guitarrista, havia um ímpeto no Priest para "ultrapassar limites". Isso fez com que a banda cometesse alguns equívocos, na opinião de alguns fãs. "Tínhamos fãs que gostavam desse Judas Priest, mas tínhamos fãs que gostavam do som mais sombrio", declarou.
A ideia de ampliar a base de fãs do heavy metal tinha a ver com o período em que o Judas Priest surgiu: ainda na década de 1970, quando o estilo não estava tão bem formatado e não tinha tanto espaço. "No começo, bandas como nós não conseguiam ser contratadas para shows ou por gravadoras. Então, tínhamos de ser mais flexíveis", afirmou.
Como o Iron Maiden surgiu anos depois, o cenário já estava melhor. "Quando bandas como Iron Maiden chegaram, elas já sabiam suas direções e se mantiveram ali. E funciona muito bem esse elemento da consistência, também com bandas como o AC/DC", disse.
Ao menos em termos de trabalho e produção, o Judas Priest também foi muito consistente, na visão do músico. "Há a consistência de sair em turnê ano após ano e trabalhar muito. Chegamos a fazer dois álbuns de estúdio em um ano, acho que em 1979 (nota do redator: ele se referia ao ano de 1978, em que foram lançados os discos "Stained Class" e "Killing Machine"). E fizemos muitas turnês", pontuou.
A entrevista pode ser ouvida, em inglês, no Player.fm.
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