Johnny Ramone morreu querendo consertar o "End Of The Century"
Por André Garcia
Postado em 25 de fevereiro de 2022
Johnny Ramone tinha tanto arrependimento por um dos álbuns dos Ramones que literalmente morreu querendo o "consertar". Isso foi o que revelou o site faroutmagazine.co.uk ao publicar que ele tinha planos de retrabalhar o descomungado "End Of The Century" (1980).
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Ed Stasium, colaborador de longa data da banda, tanto como produtor quanto como engenheiro de som, em 2016 falou à Rolling Stone sobre o assunto. Ele declarou que o guitarrista, falecido em 2004, se referiu como "seu último desejo" a seus planos de finalmente "retirar as coisas de Phil" do disco.
Mas será que "End Of The Century" é mesmo tão ruim assim? Bom, para responder isso, é preciso conhecer o tal "Phil" a quem Johnny se referia.
O furacão Phil Spector
Phil Spector, desde a década de 60, era uma lenda da produção musical com seus inconfundíveis arranjos orquestrados grandiosos. Arranjos esses que, com o pomposo nome de "Wall of Sound", acabavam deixando em segundo plano a própria música em si.
Essa sua característica tão marcante o colocou em enrascadas, a maior delas foi despertar a ira de Paul McCartney, que teve suas melodias soterradas por orquestras em "Let it Be" (1970). Por conta desse histórico, soou como uma falha na Matrix o anúncio de que ele, dez anos depois disso, trabalharia com os Ramones. Mas trabalhou; e assim foi lançado "End Of The Century".
O álbum, eternizado como o menos punk já gravado por eles, representou uma guinada para o pop. Visando soar mais palatável na esperança (não realizada) de aumentar as vendas, suas já estabelecidas características deram lugar a um som mais refinado e polido, que colocou o vocalista Joey em primeiro plano — e praticamente excluiu os demais.
Em sessões bizarras de tão excêntricas, Dee Dee Ramone contou em sua autobiografia que o Spector trabalhava não apenas armado, como fazendo questão de manter seu revólver sempre à mostra. Quando a tensão entre ele e a banda chegou ao ápice, "ele apontou uma arma para meu coração e recomendou que eu e o resto da banda voltássemos para a sala do piano."
O baixista recordou ainda que, eventualmente, o produtor "se sentaria atrás de seu piano de cauda preto e nos faria ouvir ele cantar e tocar 'Baby, I Love You' até 4:30 da manhã."
Em entrevista dada em 1982, o conservador e purista Johnny Ramone, que desejava sempre que cada novo disco dos Ramones soasse como o primeiro, falou sobre aquela famigerada gravação:
"Trabalhar com Phil era muito complicado. Talvez seja porque ele é perfeccionista, então gosta de passar um tempão refazendo as coisas e ouvindo de novo e de novo… Isso consome muito tempo, é complicado para a gente. Rock n roll tem que ser espontâneo — e um pouco mais rápido."
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