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Ministry: produzido durante os turbulentos últimos anos, "Moral Hygiene", se saiu bem

Por Mário Pescada
Em 23/02/22

Nota: 8

"Quão preocupado você está?"

Com essa questionadora frase, o MINISTRY abre seu décimo quinto e mais recente disco, "Moral Hygiene" (2021), lançado mundialmente em outubro do ano passado pela Nuclear Blast e no Brasil sob licença para a Shinigami Records.

Considerando que o disco começou a ser feito em 2018 e demorou três anos para ser concluído, o figuraça Al Jourgensen passou pelo governo Trump, a conturbada eleição norte-americana seguinte, tensões raciais e sociais nos EUA, fake news cotidianas, a questão ambiental, pandemia...não foram poucos motivos para se preocupar e se inspirar a escrever. Já para os fãs da banda, a maior preocupação era como seria o novo disco, já que os alguns dos últimos trabalhos do grupo decepcionaram boa parte deles. Ao fim, o resultado foi de alívio, já que "Moral Hygiene" (2021) está entre os melhores trabalhos do MINISTRY.

Abrindo com "Alert Level", o grupo contou com os scratchs de Arabian Prince, DJ fundador do incendiário N.W.A., um dos grupos de hip hop mais influentes da cena. É uma faixa densa, bem marcada pelas batidas de Roy Mayorga e que tem até sampler da ativista Greta Thumberg de fundo.

"Good Troube" é reflexo da tensão social crescente dos EUA no período da composição do disco. Manifestações e tumultos dão o tom aqui, com a swingada gaita tocada por Al ao fundo, dando um toque bem legal a música. Na mesma pegada social, uma das participações mais aguardadas era dele, Jello Biafra (ex-DEAD KENNEDYS), em "Sabotage Is Sex", música com a cara do projeto LARD que uniu Jello e Al no passado, falando de opressão e relembrando a violência sofrida por George Floyd, sufocado até a morte por um policial, mesmo depois de imobilizado.

A quarta faixa, "Disinformation", está entre as melhores e mais pesadas do disco, aborda um tema bem conhecido também dos brasileiros nos últimos anos e que em breve será ressuscitada com força total, as fake news. Outubro chegando, lembre-se do aviso da música, "A solução para desinformação não é surtar, mas buscar pelas notícias em fontes confiáveis e pensar criticamente a respeito de tudo que você ouve". A participação de Billy Morrison (BILLY IDOL, ROYAL MACHINES) no baixo bem grave e nas guitarras, mostrou-se uma escolha acertada.

Com outra participação de Billy Morrison, mais David Ellefson (ex-MEGADETH), está o matador cover para "Seek And Destroy", cover do proto-punk THE STOOGES, lançada em 1973 no seu terceiro disco, "Raw Power". A versão, mais lenta e pesada que a original, ficou tão boa, cheia de um certo apelo radiofônico, é verdade, que contou até com a aprovação de IGGY POP. O video clip, ambientado em um clima todo Mad Max, apesar de simples, ficou bem legal, ainda mais quando seguimos sua apocalíptica letra.

Sexta faixa, a desilusão política (nada de novo) retratada em "Believe Me", outra faixa contando com as participações de Billy Morrison e David Ellefson. O ritmo super marcado nos samplers dá um toque hipnotizante a música que muda para um apelo mais pop no refrão, bem acompanhada por violões.

"Broken System" e "We Shall Resist" são as duas músicas mais paradas do disco, vamos dizer assim. Enquanto a primeira que é embalada por um loop repetitivo com cítaras e percussão fala sobre como o sistema falhou e como estamos em risco de extinção se nada for feito, "We Shall Resist" é bem dark, seus vocais são mais falados que cantados, um clima soturno.

Quase fechando, "Death Toll" é um tributo aos mais de 500 mil norte-americanos mortos por Covid-19 durante o período de tempo da gravação do disco, a serem lembrados "mais do que um número ou estatística". Um número tão alto, que, segundo os dados do encarte (muito bem feito aliás, com todas as letras e várias colagens), seria maior do que o total de norte-americanos mortos que lutaram na Primeira, Segunda Guerra Mundial, Vietnam e guerra da Coreia, além das vítimas dos atentados do 11 de Setembro e Oklahoma - juntos! Lembrando que não faltaram vacinas para a população dos EUA, o que atrapalhou mesmo foram...as fake news.

Coube a "TV Song #6 (Right Around The Corner Mix)" fechar de forma acelerada e caótica o disco. Faixa com bateria eletrônica (para calafrio dos bangers mais conservadores), frases soltas, colagens de Fred Durst (LIMP BIZKIT), pastores, noticiários, etc., se não agregou ao disco, também não chegou a prejudicar.

"Moral Hygiene" (2021) mostra que Uncle Al, mesmo aos 63 anos (sabe-se lá como ele conseguiu chegar até aqui com sua longa convivência com drogas e afins) continua afiado em suas letras e posicionamentos.

Falando a boa parte do público de metal que ainda tem um certo preconceito com o grupo, muitos sem ao menos terem ouvido uma vez sequer algum disco, por conta do rótulo de industrial, de ter samplers, toques de eletrônica, etc., é que vale a pena romper essa barreia. Meu convite a vocês fica para começarem justo com "Moral Hygiene" (2021).

"Moral Hygiene" (2021) pode ser adquirido junto a Shinigami Records pelo e-mail [email protected] ou através do site da gravadora.

Confira o clip para a faixa "Disinformation"

Formação:
Al Jourgensen: vocais, guitarras, programação
John Bechdel: teclados
Cesar Soto: guitarras, backing vocals
Roy Mayorga: bateria
Paul D'Amour: baixo
Monte Pittman: guitarras

Faixas:
01 Alert Level feat. Arabian Prince
02 Good Trouble
03 Sabotage Is Sex feat. Jello Biafra
04 Disinformation feat. Billy Morrison
05 Search and Destroy (THE STOOGES cover) feat. Billy Morrison e David Ellefson
06 Believe Me feat. Billy Morrison e David Ellefson
07 Broken System
08 We Shall Resist
09 Death Toll
10 TV Song #6 (Right Around The Corner Mix)

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Resenha - Moral Hygiene - Ministry


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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias.

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