The Doors comenta a gravação da icônica faixa "Riders on the Storm
Por André Garcia
Postado em 13 de agosto de 2022
O The Doors fez sucesso na segunda metade dos anos 60 pela poesia de seu carismático (e problemático) frontman Jim Morrison. Além disso, também chamava atenção a inconfundível mistura de jazz, blues e rock feita pelo seu trio de instrumentistas.
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Um de seus maiores clássicos foi "Riders on the Storm", a última faixa do último álbum com o vocalista, "L. A. Woman" (1971). Uma introspectiva e atmosférica canção que reunia tudo aquilo que a banda tinha de melhor. Prova disso é que mesmo quem não curte The Doors geralmente por ela dá o braço a torcer.
Conforme publicado pela Ultimate Classic Rock, em entrevista para a Uncut o tecladista Ray Manzarek falou sobre a música.
"Robby [Krieger] e Jim [Morrison] estavam tocando, improvisando alguma coisa com "Ghost Riders in the Sky" [de Vaughn Monroe]. Eu propus a linha de baixo e a parte do piano — o estilo jazzístico foi minha ideia. Jim já tinha a história sobre um assassino pedindo carona na estrada. Em essência, era uma música bastante cinematográfica sobre um serial killer — algo bem à frente de seu tempo."
Um dos destaques da faixa é o segundo vocal de Jim Morrison, sussurrado, sorrateiramente escondido atrás do ao mesmo tempo sensível e vigoroso vocal principal. Em entrevista também para a Uncut, o baterista John Densmore contou que a ideia partiu dele:
"Eu tive essa ideia, e sugeri ao [produtor] Bruce Botnick que Jim voltasse e gravasse outro vocal, só que sussurrando. Algo quase subliminar: a não ser que você saiba que está lá, você nem ouve."
Ao contrário dos sussurros, que exigem uma audição mais atenciosa, chama atenção de imediato os sons de chuva e trovões. Presentes na introdução, já dão o clima arrepiante antes mesmo da primeira nota ser tocada. Segundo Botnick, a ideia do uso dos efeitos sonoros partiu de Jim Morrison:
"Todos nós pensamos na ideia dos efeitos sonoros, mas foi Jim que disse em voz alta: 'Não seria legal acrescentar chuva e trovões?' Eu usei as gravações de efeitos sonoros da Elektra e, conforme mixávamos, eu simplesmente apertei o botão. O acaso conspirou a favor, então os trovões saíram todos nos lugares certos. Aquilo te levava para outro lugar. Era como um mini filme em nossas cabeças."
Em entrevista para a Artist Direct, Ray Manzarek refletiu sobre a letra de "Riders on the Storm": "É uma canção cinematográfica. O deserto pode produzir incríveis tempestades. À distância, há o clarão das luzes de Los Angeles, mas a pessoa na estrada é louca: 'Se você der carona a esse homem, sua doce família morrerá.'"
"Mas o que eu amo na letra é que no final Morrison dá meia volta e faz dela uma música sobre redenção. Ele fez a canção de amor definitiva. 'O mundo dele depende de você, sua vida não terá fim. Garota, você tem que amar seu homem.' Esse é o último verso. É uma pista. É um prenúncio. Era o inconsciente de Jim nos dizendo (e talvez dizendo a ele mesmo), que aquela era a última [música], mas sua vida não terá fim", concluiu.
"Riders on the Storm" foi a última música gravada por Jim Morrison, que pouco depois partiu para Paris, deixando seus colegas encarregados de finalizar o disco. Encontrado morto no mesmo ano, o vocalista jamais retornou da França.
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