Peter Frampton relembra sua derrocada com "I'm In You": "Um disco doloroso de gravar"
Por André Garcia
Postado em 17 de novembro de 2022
Símbolo do rock, a figura do guitarrista teve sua era de ouro na década de 70, e naqueles dias um dos nomes mais conhecidos foi o de Peter Frampton. Afinal de contas, foi extraordinário o sucesso feito por "Frampton Comes Alive!" (1976), alavancado por hits como "Show Me the Way" e "Baby I Love Your Way".
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Nos anos seguintes, por outro lado, ele não conseguiu repetir o sucesso para se manter na primeira prateleira, caindo no ostracismo já no começo da década de 80. Conforme publicado pela Guitar World, em recente entrevista para a Guitarrist, Peter relembrou como o álbum "I'm In You" foi o começo de sua queda:
"Por mais que 'I'm In You' tenha sido um single [de sucesso] enorme dos Estados Unidos e o álbum tenha chegado lá em cima nas paradas, as coisas caíram bem rápido. A turnê de 'I'm In You' foi boa, mas depois dela a coisa deu uma afundada, foi quando comecei a perder muito público. Aquela era a situação. Eu me sentia em um navio afundando."
"Eu não queria fazer o 'I'm In You', e nem queria entregar ele. Eu não gostava. Eu sabia que não era bom o bastante, mas todo mundo estava 'Vai! Vai! Vai!' Eu queria esperar até ter o melhor material possível, não importa quanto tempo levasse. Poderia ter sido um ano, dois… Várias coisas aconteceram. Eu perdi uma fita cassette com um monte de ideias — aquilo foi devastador para mim. Eu até lembrava algumas coisas, mas não todas. O núcleo do novo material que eu tinha até aquele ponto desapareceu. Aquele foi um disco doloroso de gravar."
Peter Frampton
Filho de um professor de artes, Peter Frampton conheceu David Bowie na escola antes de se tornar guitarrista. Em 1969, se juntou ao recém-saído do Small Faces Steve Mariott para formar um Humble Pie, misturando o hard blues do Led Zeppelin com influências de R&B e soul. Embora sua passagem tenha durado apenas dois anos, nesse tempo gravou seus quatro primeiros álbuns.
Como artista solo, sua consagração foi "Frampton Comes Alive!" — álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos, e um dos álbuns duplos mais vendidos também. Com hits de arrasar quarteirão como "Baby, I Love Your Way" e "Show Me the Way", ele se consagrou o guitar hero do soft rock, abocanhando o público que achava Led Zeppelin muito pesado e preferia um The Eagles.
Nos anos seguintes, por outro lado, ele não conseguiu repetir o sucesso, e acabou estigmatizado como músico de um sucesso só. Após chegar a amargar o ostracismo, foi levado de volta aos holofotes por David Bowie ao participar do álbum "Never Let Me Down" (1987) e a épica Glass Spider Tour.
Desde então, a carreira de Peter Frampton voltou aos trilhos, mas em outra escala, sem passar perto de repetir aquele sucesso dos anos 70. Sua discografia possui 21 álbuns, o último deles é "Frampton Forget the Words" (2021) — que brinca com o fato de ser instrumental com seu título, que significa "Frampton esquece as letras".
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