Gene Simmons sobre o "Alive!": "Estávamos no auge, e sabíamos disso"
Por André Garcia
Postado em 12 de janeiro de 2023
Em seu meio século de história, o Kiss passou por diversas formações, e a única coisa que todas elas tiveram em comum foi a presença do guitarrista base Paul Stanley e o baixista Gene Simmons. Além de núcleo criativo da banda, foi a dupla que não só a formou como concebeu seu conceito.
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Em entrevista de 1992 para a revista Guitar World, eles comentaram alguns dos maiores clássicos do Kiss. Eles comentaram também seu primeiro álbum ao vivo, "Alive!"(1975), que fez de "Rock and Roll All Nite" um hit e se tornou o primeiro sucesso comercial da banda.
Gene Simmons: Estávamos no auge de nossa carreira quando gravamos "Alive!", e sabíamos disso. "Alive!" era real e um produto de seu tempo — não era apenas o Kiss, era meados dos anos 70. As pessoas estavam fartas da coisa hippie e política, só queriam curtir e se divertir. Naquela época, os discos ao vivo não vendiam, sabíamos que estávamos fazendo algo que a indústria achava estúpido. Mas "Alive!" mudou tudo isso. "Frampton Comes Alive" foi lançado logo depois, e então todo mundo começou a lançar discos ao vivo. Mas não sabíamos disso como uma coisa de marketing; era simplesmente real — muito parecido com o nosso primeiro álbum. Para mim, é um dos dois ou três discos que fizemos que ainda se sustentam.
Todas as coisas boas são mais que a soma de suas partes — tem o tempo que você cozinha, o quão faminto você está, e a hora que fica pronto. Por mais que eu adoraria tomar todo o crédito por "Alive!", aquilo foi muito mais que só o Kiss. Todos os planetas se alinharam. Os fãs estavam certos: as rádios não importavam, havia grandes revistas de rock, como a Creem.
Aquele foi um tempo de muita pureza, ingenuidade. E a música refletiu aquilo, que é o que faz com que o álbum funcione tão bem. Muitos músicos que estão fazendo sucesso agora, na época queriam, precisavam daquilo. Aquilo fez muito garoto pegar uma guitarra e formar uma banda.
Foi gravado principalmente no Cobo Hall (Detroit), mas também no Wildwood (Nova Jersey) e Davenport (Iowa). "Detroit Rock City" foi escrita como resultado desses shows, porque fizemos três noites em um lugar para 11.000 pessoas. Pensaram que estávamos malucos de tocar lá, porque até então tocávamos no Michigan Palace, que tinha 5.500 lugares. Mas naqueles dias, acreditávamos que o excesso era melhor.
Paul Stanley: Sentíamos que nenhum dos três primeiros álbuns capturou o que éramos – o que era a banda ao vivo. Até hoje, a maioria das versões de estúdio empalidece em comparação com as do "Alive!" Nosso show ao vivo foi semelhante a quatro pessoas liderando 12 mil em uma comunhão na igreja. Todos ali tinham um baita comprometimento. A capa desse álbum foi filmada no Michigan Palace em Detroit. Fizemos isso à tarde, enquanto nossa equipe montava o palco no Cobo Hall, onde gravamos a maior parte do álbum. Queríamos a imagem ao vivo perfeita, então montamos tudo e tocamos em um teatro vazio. Nós temos essa foto.
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