Jéssica Di Falchi, da Crypta, faz longo e detalhado relato sobre drama do tornado nos EUA
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de junho de 2023
Jéssica Di Falchi, guitarrista da Crypta, fez um longo e detalhado relato sobre o tornado que enfrentaram recentemente nos EUA. A entrevista foi para Rafael Bittencourt, no podcast Amplifica.

"Posso falar pelas meninas. Moramos aqui no Brasil e não conhecíamos essa coisa de tornado. No dia que fomos para Belvidere, o tour manager do Morbid Angel falou com o nosso alertando para chegarmos cedo, pois avisos diziam que poderia vir tempestade. Nós ficamos tipo: ‘Caramba’.
Chegamos na cidade e estava chovendo um pouco. Passamos o som e era a rotina de sempre. Fizemos o show e estava tudo certo. A Luana estava com o celular ali na bateria porque ela solta as trilhas. Ela disse que sempre que ia soltar aparecia um aviso na tela dizendo que um tornado ia passar na sua direção em tantos minutos. No celular de todos estava aparecendo. Nós estávamos sem celular no palco.
Terminamos o show, que era bem curto, de 30 minutos. Chegou o baixista do Revocation, que tocava conosco, e disse que o tornado ia passar na direção do teatro. Ele disse para pegar o que era mais importante no carro e ir para o porão que era mais seguro. O evento seria pausado e as bandas tocariam depois. Começamos a filmar. Era brasileiro no rolê, né? Tipo, isso que é um tornado?
Não quero parecer escrota, mas no momento o que rolou foi isso. Algo curioso. Estávamos presenciando algo diferente. Saímos para pegar as coisas no veículo. Estava tudo mais escuro. Entramos e pegamos algumas coisas. Quando entramos de volta para o teatro, fomos para o porão. Entramos, fechamos a porta e veio um barulho muito forte.
Descobrimos que foi o telhado que caiu. Na hora ninguém sabia o que estava acontecendo. A energia caiu e apagou tudo. Começou um alarme muito alto e uma luz vermelha piscando. Minha reação foi se abaixar. Depois de um tempo, todos ficaram se olhando e se abraçando. Todos começaram a chorar. Ouvimos coisas sendo arrastadas e pessoas gritando. Começou a entrar pessoas muito feridas no porão, sendo carregadas.
Uma galera ficou na grade para esperar até a outra banda. O telhado caiu em cima dessas pessoas. Uma pessoa faleceu. Naquele dia, tínhamos vendido uma camiseta só. Essa que vendeu foi para o cara que morreu. Nossa única venda foi para esse rapaz. Outras pessoas ficaram gravemente feridas. Uma moça quebrou a espinha.
Ficamos no porão até que os bombeiros chegaram e pediram para sairmos. Fomos para uma pizzaria do lado e deram comida e água para a gente. Ficamos esperando porque nossos instrumentos estavam na casa ainda. Quando falaram que as bandas iam voltam, na minha inocência, achei que eu poderia tomar um banho enquanto o tornado passava! [risos]. Eu estava com uma mochilinha com roupa.
Isso foi bom porque pelo menos salvei uma roupa, mas as outras meninas ficaram sem nada. Caiu pedaços do telhado em cima do palco. Por sorte, não caiu nada em cima de equipamentos. Não aconteceu nada com ninguém da banda nem equipe. No máximo alguma coisa molhou. Perdemos roupas, mas nem importa isso. O que poderia ter acontecido? Isso é o de menos. Depois que fizemos a vaquinha, uma galera veio falar: ‘Como não tinha seguro?’ Não é isso. Tinha, mas eles alegaram que não foi causa natural.
O tornado passou pelo teatro e o teatro caiu no veículo. Eles falaram que o teatro estava irregular com reformas. Só o teatro foi atingido e nenhuma outra casa foi atingida. Jogaram em cima do teatro. Vários advogados surgiram, inclusive o Felipe Andreoli mandou um contato. Só que se fôssemos correr atrás disso, teríamos que pagar o mesmo valor ou mais para o advogado. Depois disso, nas outras datas ficamos fugindo do tornado. Na cidade seguinte, ele ia passar de novo.
Olhamos no mapa e ficamos monitorando. Qualquer barulho que ouvíamos depois, já lembrava da situação. Tipo uma ré de carro. Horrível isso. Ficávamos lembrando. Agora, não posso deixar de citar que as pessoas ajudaram muito na vaquinha. Fica nosso agradecimento. Esse tipo de coisa faz a gente acreditar na união do metal. Precisamos pensar como resolver na hora. Falaram que era 60 mil dólares. Abrimos a vaquinha e conseguimos. Como não tínhamos devolvido o carro, continuaram cobrando essas diárias.
Falaram que iam cobrar guincho e não sei o que mais. Ele disse que ia ajudar e tirou todas as taxas que podia. No final, ficou 82 mil dólares. Conseguimos cobrir com a vaquinha, o pix e completamos com a grana que a banda tinha. Todo o caixa da banda foi, mas conseguimos bancar. Em breve, vamos postar a prestação de contas. Perguntaram se vamos processar o teatro. Eles já com certeza estão sendo processados pelas vítimas. Nós estamos vivas e está tudo certo conosco."
Confira a entrevista completa abaixo.
Tornado em local de show da Crypta e Morbid Angel
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