Fernanda Lira desabafa sobre ódio online e autenticidade: "não sou essa pessoa horrível"
Por Emanuel Seagal
Postado em 26 de novembro de 2025
Fernanda Lira, frontwoman da Crypta, não usa suas redes sociais somente para promover a música da banda. Ela também compartilha opiniões sobre pautas que julga importantes, além de detalhes da sua vida pessoal e profissional. Essa exposição, no entanto, cobra um preço: seja por divergência de ideias ou pura misoginia, os "haters de internet" aproveitam essas oportunidades para despejar seu ódio - como visto no recente episódio de ataques gordofóbicos que recebeu.

Aproveitando a passagem da Crypta por Ottawa, no Canadá, o canal "L'Ma3adine - The Metalheads" conversou com ela e abordou as críticas recebidas. "Se começasse a contar o tipo de 'hate' que recebo, você não acreditaria. Acho que é algo com que ainda tenho dificuldade em lidar […] Não estou dizendo que sou um anjo, mas definitivamente não sou a pessoa horrível que pintam que sou."
A vocalista revelou já ter chorado ao ler comentários odiosos, sem entender a motivação por trás de tanta agressividade gratuita. "Não falo para criar polêmica. Falo porque isso sou eu. É como me sinto, é minha personalidade", explicou.
Para lidar com o comportamento tóxico de uma parcela do público, ela adotou uma nova mentalidade: "Bem, se minha personalidade está fazendo as pessoas sentirem algo a meu respeito, tem algo aí. Sei que hoje vivemos em uma sociedade com medo de autenticidade. A sociedade, o capitalismo, tudo que comanda o mundo agora quer que você seja gado, que vai tolerar tudo e vai seguir todas as regras e todos os estereótipos", afirmou. "Se, no meu caso, sou odiada ou chamada de poser por ser quem sou, e sou alguém que desafia estereótipos, o sistema e as normas, então estou feliz em ser eu mesma."
Questionada sobre o que diria à Fernanda do passado - antes do baixo e do jornalismo -, a resposta foi: "Seja você mesma quando tudo valer a pena. Vale a pena. Recebo muitas críticas. A vida que vivo é muito cansativa, é exaustiva, mas vale a pena. Em algum momento, você se sentirá confortável consigo mesma."
Esta perseverança é nítida na carreira da artista. Por quase 10 anos, Fernanda Lira foi vocalista e baixista da Nervosa, que saiu do underground e tornou-se um dos grandes nomes do metal brasileiro. Não deixou a peteca cair com a sua saída do grupo e aventurou-se no death metal com a Crypta, lançando trabalhos de alto nível. A banda deve apresentar seu terceiro álbum em 2026, além de ser uma das atrações do Bangers Open Air.
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