O dia que esposa de fiscal da alfândega sofreu com Mutantes após item da banda ser retido
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de setembro de 2023
Os Mutantes iniciaram sua trajetória musical no final da década de 1960 e o som do rock progressivo estrangeiro foi fonte de inspiração. Tanto é que a banda resolveu trazer um órgão hammond de fora.
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O grande problema, como contou o ex-tecladista Túlio Brandão ao Corredor 5, é que o fiscal da alfândega do aeroporto reteve a mercadoria. Foi então que a banda decidiu implorar diariamente para sua esposa para liberar a carga.
"Quando adquirimos o órgão hammond, por exemplo, ele veio naquela caixa original de papelão. Lembro-me vividamente do dia em que chegamos na alfândega no aeroporto de Viracopos. Abrimos a caixa e o plástico ainda exalava aquele cheiro característico de algo novo. O técnico da alfândega estava lá, observando tudo com atenção, certificando-se de que estava tudo em ordem.
No entanto, a situação ficou complicada, e percebemos que precisávamos encontrar uma maneira de agilizar o processo. O cara confiscou o teclado. Foi quando descobrimos onde o fiscal da alfândega morava e começamos a visitar sua casa quase que diariamente. Implorávamos com todo o nosso coração para que ele liberasse o teclado.
A esposa dele, coitada, não aguentava mais ver um bando de cabeludos na porta de casa todos os dias. Finalmente, depois de muita insistência, ela cedeu e conseguiu convencer o marido a liberar o tão esperado teclado", disse.
Mutantes, Rita Lee e rock nacional
Os Mutantes deixaram uma marca na música brasileira ao fundir com destreza o rock progressivo com o tropicalismo. A formação clássica da banda era composta por Arnaldo Baptista (baixista, vocalista), Rita Lee (vocalista), Sérgio Dias (guitarrista, vocalista), Dinho Leme (baterista) e Liminha (baixista).
Depois de lançar álbuns icônicos como "A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado" (1970) e "Jardim Elétrico" (1971), o grupo passou por uma reviravolta com a expulsão de Rita Lee.
Em uma entrevista de 1992 concedida a Bruna Lombardi, Rita Lee compartilhou os diversos motivos que levaram à sua saída dos Mutantes em 1972, destacando desde divergências criativas até a tumultuada relação com Arnaldo Baptista.
"Eu não consideraria a possibilidade de retornar aos Mutantes nos dias de hoje. O desfecho da nossa trajetória foi um tanto trágico, peculiar e injusto. A realidade é que éramos todos muito extravagantes naquela época. Estávamos envolvidos com todo tipo de excessos, experimentando várias substâncias. Muitos de nós ficaram à deriva.
Chegou um momento em que tivemos que encarar isso de frente com Arnaldo Baptista. Infelizmente, ele passou por um momento difícil e acabou se ferindo gravemente, chegando a entrar em coma por vários meses. Os Mutantes já estavam se desintegrando naquele ponto, mas existiam ressentimentos não resolvidos."
"O grupo se fragmentou por diversos motivos. Gil e Caetano, nossas referências e influências, haviam sido exilados. Eles eram nossos guias e mentores, mas partiram. Eu sugeri que continuássemos fazendo a nossa música, afinal, eles nos tinham ensinado muito. Tinham nos ensinado a compor em português, a criar arranjos e a cantar o Brasil. No entanto, os outros membros da banda optaram por seguir em uma direção diferente. Decidiram se aventurar no terreno da música progressiva, algo semelhante ao Yes e ao Emerson, Lake & Palmer. Eles eram músicos incríveis, e eu era mais intuitiva em minha abordagem. Eu acreditava que podia tocar por intuição, mas percebi que era necessário um domínio técnico mais sólido. Então, em determinado momento, eles me convidaram a me desligar dos Mutantes. Acredito que foi nesse momento que a essência humorística se desvaneceu."
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