Humberto Gessinger e o equívoco dos brasileiros sobre o que seria a essência do rock'n'roll
Por Bruce William
Postado em 13 de dezembro de 2023
Durante a histórica participação no Corredor 5, o vocalista e compositor Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) refletiu sobre como a década de oitenta causou uma percepção nos brasileiros que ele considera equivocada, apesar de fazer parte dela.
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"Muito do motivo de eu não ter sido músico antes e nunca achar que eu poderia ser músico é que meus ídolos todos eram aqueles tipo de ídolos que te faziam pensar que as coisas são impossíveis de fazer", diz. "Tu ouve o Steve Howe tocando guitarra, ouvir o Rick Wakeman tocar, nunca vou fazer isso", explicando por qual motivo nunca achou que a música fosse um lance para ele.
Humberto conta que de repente as coisas passaram a tomar um novo rumo: "Mas como mudou a agenda mundial, mudou ali no punk, virou fácil de você mesmo começar a ficar bonito tocar guitarra mal, né? Eu disse: 'Ah, se é bonito tocar mal, tô nessa!". Neste ponto, ele dá um exemplo de como eram as coisas na época: "Todo aquele pessoal que ficava brigando se Deep Purple é melhor do que Led Zeppelin cortou o cabelo, começou a ouvir New Wave e começou a achar solo de guitarra horrível, ou virou punk".
Prossegue Humberto: "Eu fui meio otário assim até os anos 80, porque todo mundo da minha geração - o Renato Russo ouvia as mesmas coisas que eu, rock progressivo - a gente dizia que ouvia as coisas do momento, mas eu ouvia aquela velharia que são os discos que todo mundo jogou fora, todo mundo jogou fora as coleções de Led porque mudou a agenda. Depois, todo mundo comprou os discos de novo. Era uma agenda".
De acordo com ele, chegou uma hora em que se decidiu que as coisas começariam a partir dali, "tudo zerou" e "o mundo começou do zero": "Diziam: 'agora é rock and roll', quando não é nada disso. Teve muito Rock & Roll bom no Brasil antes. Mas tu fala pras pessoas assim de rua, todo mundo acha que Rock & Roll é aquela geração dos anos oitenta". Humberto, obviamente, não nega que gosta e vive daquilo pois foi quando ele cresceu e prosperou com artista, mas afirma que houve uma curiosa má-interpretação da coisa aqui no país: "Os anos oitenta para todo mundo não foram anos de rock and roll. Foram anos da digitalização dos teclados. Volta um pouquinho depois com as hairbands, que também não são lance legal, mas volta a ser esse rock and roll meio assim obscuro com a coisa do grunge, mais assim, Soundgarden e tal. Mas é muito louco porque, pro Brasil, ficou (marcado) os anos oitenta, que foram os anos menos rock and roll".
O trecho acima aparece a partir dos 43 minutos do vídeo abaixo, que traz a participação de Humberto Gessinger no podcast Corredor 5, apresentado por Clemente Nascimento.
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