O que Arnaldo Antunes quis dizer com o verso "O pulso ainda pulsa" no hit dos Titãs
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de fevereiro de 2025
Lançada em 1989 no disco "Õ Blésq Blom", "O Pulso" é uma das músicas mais famosas dos Titãs. A composição de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto traz nos versos uma sequência de doenças e condições médicas, intercaladas com o verso repetitivo e enigmático: "O pulso ainda pulsa". A frase, como pode-se ver nas análises a seguir, funciona como uma espécie de mantra de resiliência, simbolizando a persistência da vida mesmo diante do sofrimento.
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O site Slow Medicine explica: "Os versos da canção enumeram diversas doenças que podem afligir o corpo humano para, então, enaltecer em seu coro a força da vida ao se libertar e enunciar em alta voz que, apesar de todos os problemas, 'o pulso ainda pulsa'!"
A repetição desse refrão sugere que, mesmo diante de enfermidades e adversidades, a existência continua. A lista de doenças citadas na música não se limita ao físico; há também menções a problemas comportamentais e sociais, como "estupidez" e "hipocrisia". Essa escolha amplia a interpretação da canção, sugerindo que os desafios da vida vão além do biológico.
"A inclusão de condições como 'estupidez' e 'hipocrisia' entre as doenças sugere uma visão ampliada do que pode ser considerado nocivo à vida humana, indo além do físico e abordando também aspectos comportamentais e morais", reforça o Letras.mus.
Ao longo dos anos, a interpretação de "O Pulso" ganhou novas camadas de significado. No contexto social e político, a música pode ser vista como um retrato da resistência do povo brasileiro diante de dificuldades constantes. "É nesse contexto que o corpo social brasileiro brada nos dias de hoje. O rol de 'enfermidades' infelizmente é muito extenso e a lista mencionada chega quase a ser meramente exemplificativa", diz o site Migalhas.
Mais de 30 anos depois, a canção continua atual. O avanço da medicina trouxe novas formas de lidar com as doenças mencionadas, mas a essência da música permanece inalterada: a reafirmação da vida diante dos desafios. O Slow Medicine conclui: "Nessas três décadas, muito se modificou na maneira com que tratamos as doenças (inclusive as descritas na música). Temos diagnósticos rápidos e precisos, terapêuticas mais eficazes, estratégias impressionantes para abordar situações complexas...".
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