Michael Kiske nega ter sido convidado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden
Por João Renato Alves
Postado em 08 de março de 2025
Quando o Iron Maiden anunciou a saída de Bruce Dickinson, em 1993, muitos nomes foram especulados mundo afora – embora, além de Doogie White (ex-Rainbow), apenas Blaze Bayley, que assumiu a função, tenha sido testado. Um deles era o de Michael Kiske, que também estava saindo do Helloween no período. O cantor era visto como uma espécie de possibilidade natural, dado o seu timbre.
No entanto, não houve qualquer aproximação neste sentido. Quem garante é o próprio, durante entrevista concedida ao canal Made in Metal. Disse o alemão, de acordo com transcrição do Blabbermouth:
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"Naquela época, o Hellowen tinha a mesma gestão do Iron Maiden. Estávamos com a Sanctuary Music e Rod Smallwood. Então, havia essa conexão. Eu estava no casamento de Rod, junto com todos do Maiden. Encontrei Bruce algumas vezes no escritório e conversamos. Assisti tênis com ele juntos nos anos 90, quando Boris Becker estava jogando. Eu me lembro disso. Mas nunca houve nenhuma discussão ou conversa sobre isso. A única coisa que descobri mais tarde, muitos anos depois, e não posso afirmar que é verdade, foi que um jornalista — acho que era francês, não lembro — disse ter conversão com Steve Harris e que eu poderia ser um dos três na lista. Não sei se era verdade, mas talvez tenha sido daí que surgiu."
O cantor ainda lembra ter assistido na TV sua "convocação" que nunca se confirmou. "Nos anos 90 ainda tínhamos aqueles canais de TV de música e havia um programa que cuidava de hard rock e metal. Havia uma linda garota que estava apresentando o programa, e ela disse, 'Bem, era apenas um boato, mas agora é bem oficial que Michael Kiske é o novo vocalista do Iron Maiden'. Eu fiquei, tipo, 'Isso foi interessante.'"
No entanto, Kiske rechaça qualquer verdade na notícia. "Nunca houve nenhuma conversa, e eu não acho que tenha havido nenhuma consideração séria porque os britânicos também são muito nacionalistas. Só a ideia de um cantor alemão substituindo Bruce Dickinson no Iron Maiden, não acho que realmente funcionaria. Em teoria, pode ter sido algo que passou pela cabeça de Steve Harris, mas você teria que perguntar a ele. Não sei se é verdade. O entrevistador me disse, mas você não pode acreditar em muitas coisas hoje em dia.
Além disso, nós tocamos com o Iron Maiden em uma turnê de muito sucesso que fizemos em 88 ou 89. Acho que foi a do 'Seventh Son Of A Seventh Son'. O público estava realmente aceitando o Hellowen, o estilo de música era meio apropriado. Então, alguém que gosta do Maiden não necessariamente odeia Helloween e vice-versa. Talvez seja por isso também que algumas pessoas pensaram que poderia dar certo."
Vale ressaltar que o Iron Maiden jamais teve um integrante de fora do Reino Unido. Recentemente, quando o baterista Nicko McBrain se retirou devido a problemas de saúde, a banda fez questão de enfatizar que um conterrâneo assumiria as baquetas. E assim foi, com Simon Dawson se tornando o novo titular.
De qualquer modo, Michael conclui acreditando que mesmo que tivesse acontecido, a chance era grande de não dar certo. "Eu não me importaria com o Iron Maiden sem Bruce Dickinson, da mesma forma que não me importei com o Judas Priest sem Rob Halford. Uma mudança assim só funcionou para mim com o Van Halen – embora eu ainda prefira a fase com David Lee Roth, porque a sonoridade era um pouco mais atemporal, enquanto a fase do Sammy Hagar soa mais anos 80. É quase como se eles quisessem encontrar um pouco mais os sons dos anos 80 e tudo mais, mas ambos são igualmente ótimos e musicalmente emocionantes. E funcionou. Eu gosto das duas fases.
Mas na maioria das vezes, quando gosto de uma banda, e especialmente quando cresci com uma banda, e o vocalista muda, não me importo. É como se você conectasse o som com o cantor. É sempre uma coisa difícil. Funcionou com o Helloween porque eles não escolheram um imitador para me substituir. Foram atrás de alguém com seu próprio estilo e atitude. A banda precisava de alguém como Andi Deris. Ele é um leão, um Zodíaco, assumiu o controle das coisas e está liderando o grupo até hoje. Era exatamente o que a banda precisava naquela época, pois era muito disfuncional nos meus últimos dois, três anos. Se não tivesse funcionado, não estaríamos conversando hoje. Mas com a maioria das bandas não funciona. É uma tarefa muito difícil, especialmente quando você tenta conseguir um cantor que soe como o anterior. Faz muito mais sentido pegar um diferente. É mais convincente do que uma cópia de algo."
Com Andi Deris e Michael Kiske – além de Kai Hansen acumulando função com a de guitarrista –, o Helloween segue preparando seu próximo álbum de estúdio. A ideia é disponibilizá-lo ainda este ano. Será o segundo trabalho de inéditas desde a bem-sucedida reunião. A banda também realizará uma turnê celebrando 40 anos de estreia fonográfica.
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