Marky Ramone relembra como recebeu a notícia de sua demissão dos Ramones em 1983
Por André Garcia
Postado em 27 de maio de 2025
Nos primórdios, Ramones era formado por Johnny na guitarra, Joey na bateria e Dee Dee no baixo e vocal. Só que bastou apenas um ensaio aberto para amigos para que eles se dessem conta de que aquela formação não tinha futuro nenhum: não só Joey não sabia tocar bateria como Dee Dee não conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo — ele tinha que ou abaixar a cabeça para ver onde botava os dedos ou levantar a cabeça para cantar no microfone.
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Ele ou cantava certo tocando errado, ou tocava certo, mas sem cantar.
Foi aí então que eles tiveram a excelente ideia de Dee Dee só tocar, Joey passar para o vocal e Tommy, que seria o empresário, tocar bateria.
Foi essa a formação que gravou as obras-primas "Ramones" (1976) e "Rocket to Russia" (1977).
Só que Tommy, ao contrário dos colegas, não curtia a vida na estrada e nem o estilo de vida rock n roll. Isso sem contar que ele era o que menos curtia punk rock (o lance dele mesmo era música country e bluegrass). Em 1978 ele foi substituído por Marky Ramone, que em pouco tempo se entrosou com os outros — tanto no palco quanto fora.
Marky parecia o baterista perfeito para a banda, mas as tensões internas e a desregrada e desgastante rotina na estrada o levaram ao alcoolismo. Na década de 80 as tensões entre eles, bem como as bebedeiras de Marky, só pioraram; chegando ao ponto dele ter sido demitido em fevereiro de 1983.
Poucas semanas antes, quando ele foi tirar a foto da capa de "Subterranean Jungle" (1983), todo mundo já sabia que ele era carta fora do baralho — menos ele.
Em 2013 foi lançado no Brasil pela editora Edições Ideal o livro Na Estrada com os Ramones, de Monte Melnick e Frank Meyer (agradecimentos a Raphael New Avengers pelo exemplar). Nele o fotográfo George DuBose relembrou:
"Monte [Melnick, o gerente de turnês dos Ramones] me disse que Marky era um alcoólatra e que estava para ser chutado da banda. Então tive que fazer umas fotos com Marky sentado sozinho olhando pela janela, e Joey, Johnny e Dee Dee entre as portas."
Marky Ramone confirmou:
"Eles ficavam me falando para sentar na janela, separado dos outros caras. Até gostei da foto, mas sabia que tinha alguma coisa errada. Fui para casa e, uma semana depois, recebi uma ligação de Joey e Dee Dee dizendo: 'Mark, não podemos mais ficar com você na banda. Você f*deu com tudo. Você deveria tentar buscar ajuda.'"
"Naquele momento, fiquei aliviado; não precisaria mais ter que lidar com a crescente hostilidade entre Joey e Johnny, e nem com as besteiras do Dee Dee — que era viciado em cocaína e fuma maconha sem parar. Agora eu tinha todo o tempo do mundo para beber. Fechei as cortinas, tirei o telefone do gancho e comecei a beber."
Ainda sobre a capa do "Subterranean Jungle" o fotógrafo DuBose relembrou:
"O diretor artístico Tony Wright conseguiu o trabalho para fazer a capa do 'Subterranean Jungle' e me contratou para fazer as fotos. Eu disse que deveríamos ir até a rua 57th com a 6th, que era onde o trem b chegava vazio e ficava parado por uns 20 minutos. A gente tirava as fotos, descia e esperava o próximo para fotografar de novo."
Marky Ramone foi substituído por Ritchie Ramone, que sentou na banqueta de 1983 a 87. Após sua saída, o ex-Blondie Clem Burke até entrou no lugar dele como Elvis Ramone, mas durou apenas dois shows. Acabou que Marky, dessa vez livre das bebidas, retornou a seu posto, onde permaneceu até eles pendurarem as chuteiras em 1996.
O único membro vivo da formação que gravou "I Wanna Be Sedated", Marky segue na ativa. Geralmente ele cai na estrada para tocar os clássicos dos Ramones e manter seu legado vivo. Ele também já lançou o documentário Ramones Raw (composto de filmagens caseiras que fazia com a banda) e publicou a biografia Minha vida como um Ramone.
FONTE: Livro Na Estrada com os Ramones
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