Glenn Hughes é alguém difícil de descrever fielmente
Resenha - Bangers Open Air (Memorial da América Latina, São Paulo, 02 a 04/05/2025)
Por Bruno França
Postado em 20 de maio de 2025
Pode ser dito sem a presença de nenhuma sombra de dúvidas que este é uma das apresentações mais únicas do Bangers Open Air. Um motivo de orgulho de quem admira, respeita e acompanha o Metal é devido ao fato do mesmo possuir uma variedade tão grande de subgêneros quanto os variados "sabores" de kryptonita existentes para deixar a vida do Superman cada vez mais difícil, apesar de todos os seus poderes divinos.
Em consequência de ser um local com mais de um palco, chega a ser intrigante irmos de um subgênero ao outro na mesma velocidade da batida de um coração, causa para mostrar a sua divergência artística.

Glenn Hughes é alguém do ramo que uma descrição não conseguiria descrever fielmente quem ele é e a sua contribuição, e que desde que veio pela primeira vez ao Brasil em 1998, faz um esforço louvável para incluir o nosso país em seu itinerário ao redor do globo. Motivo de curiosidade é que apesar do próprio lutar contra os limites de um corpo humano ainda que aos 73 de idade, seja pelo esforço físico ou pelo esforço mental, ele demonstra com os seus próprios atos as razões de ainda arrastar uma quantidade impressionante de ouvintes para vê-lo. Exatamente por causa disso, é estranho não ser atribuída a ele a teoria do "clone da Avril Lavigne", pois o vigor que ele exala é da variante descomunal.

Em contraste com o que é escolhido por muitos musicistas, o que se vê aqui é uma performance sem teatralidades, sem um glamour visual reforçado de cenário, sem trajes muito chamativos para prender a atenção dos ouvintes: o passeio audível de aproximadamente 1 hora e 20 minutos com a revisitação de clássicos do Deep Purple como Burn, o icônico Stormbringer e Come Taste The Band dependeu unicamente da proeza técnica dos musicistas em cima do palco. Há muito tempo que eles concluíram os estudos da época de escola, mas se levarmos em consideração que aquilo seria uma prova, e numa escala de nota de 0 a 10 baseado no que fora apresentado, eles passariam na dita prova com louvor, e ganhariam uma estrela na testa.

Independentemente do quão distante foi isto aqui para outras performances da música extrema, mesmo os não-iniciados sabem que a relevância para o desenvolvimento do Metal do repertório do Deep Purple é motivo de respeito e possível admiração, como visto em "YOU FOOL NO ONE", com uma sinergia instrumental capaz até de converter os que não apreciam um som menos pesado.

Os créditos devem ser dados quando são merecidos: a equipe técnica realizou um trabalho polido, pois a qualidade do som estava entre as mais altas de TODO o festival. De forma discreta, porém, foi anunciado que o musicista inglês está se aposentando dos palcos (algo que sequer foi mencionado durante a passagem pelo Bangers Open Air, sendo dito apenas pela produtora que trará os shows do final do ano).

Com retorno marcado para as terras brasileiras no mês de Novembro em algumas capitais: nominalmente em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, ainda está para ser visto se tal aposentadoria realmente irá se concretizar.

Tão certo como o nascer e o pôr do Sol diários é que ainda há combustível restante desta longa e respeitável carreira.

















Bangers Open Air
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