O solo de guitarra do Led que Jimmy Page patinou pra conseguir fazer
Por Bruce William
Postado em 14 de maio de 2025
Jimmy Page sempre foi visto como um dos grandes arquitetos do hard rock, mas nem tudo saía com a facilidade que parecia nos discos. Mesmo com o domínio técnico e a confiança de palco, ele próprio admitiu ter passado maus bocados ao tentar gravar certos solos — e um deles quase travou completamente sua criatividade.
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A música em questão é "Tea for One", faixa do álbum "Presence", lançado pelo Led Zeppelin em 1976. Para muitos fãs, a canção lembra bastante "Since I've Been Loving You", especialmente por sua base em blues menor. Page sabia disso desde o início: "A estrutura de acordes é parecida, um blues menor", comentou em entrevista à revista Trouser Press (via Far Out no ano seguinte ao lançamento.
A pressão não era pequena. A cena do rock havia se tornado cada vez mais competitiva e exigente nos anos 70, e Page sentia que precisava oferecer algo que fosse além dos clichês. "Eu me pegava sentado ali pensando: 'Tenho esse solo de guitarra pra fazer'. E fiquei realmente um pouco assustado com isso", contou. "Fiquei pensando: 'O que dá pra fazer aqui?'". O receio era repetir velhos licks de blues e acabar soando acomodado.
Ele sabia que simplesmente repetir licks à la B.B. King não seria suficiente. Também percebeu que um solo explosivo, no estilo locomotiva desgovernada, não combinava com o clima introspectivo da faixa. "Não queria detonar o solo como uma locomotiva ou algo assim, porque não combinava com a vibração do resto da música", explicou. O desafio era encontrar algo expressivo, mas que também respeitasse o clima introspectivo da faixa.
Apesar do bloqueio e da insegurança, Page conseguiu chegar ao resultado que buscava — um solo lento, cheio de sentimento, que combina com a atmosfera sombria da faixa. Hoje, é justamente esse solo que dá identidade à música, mesmo que muitos ainda a consideram uma "prima menos inspirada" de "Since I've Been Loving You".
"Presence" não foi um disco fácil para ninguém na banda. Robert Plant estava se recuperando de um acidente de carro e gravou tudo sentado. A turnê havia sido cancelada e o grupo precisava entregar algo novo em um momento tenso. Page, sentindo o peso da responsabilidade criativa, puxou o álbum nas costas — e esse solo foi uma das batalhas mais difíceis do processo.
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