Como Lemmy foi fundamental na criação do thrash metal como conhecemos
Por Bruce William
Postado em 16 de junho de 2025
No final dos anos setenta, o rock parecia caminhar cada vez mais para palcos gigantes, produções imensas e solos intermináveis. Mas em algumas garagens e pubs, um punhado de músicos ainda queria barulho cru, suor e velocidade de arrepiar. Sem muita cerimônia, eles misturaram riffs pesados, uma batida frenética e a atitude sem filtro do punk - e acabaram, sem querer, criando um novo monstro.
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No centro dessa bagunça, um trio inglês beberrão e barulhento jogou a última faísca no barril de pólvora, cravou a Far Out. Com uma música que falava de apostas e era tocada no talo, eles aceleraram tudo o que se fazia de pesado na época. O resultado foi uma faixa que até hoje é hino obrigatório de qualquer fã de metal que também entende o valor de uma boa dose de anarquia: "Ace of Spades."
Claro que os precursores vieram antes. Muita gente aponta "Symptom of the Universe", do Black Sabbath, como o verdadeiro ponto de partida do thrash metal: riffs cortantes, batida avançada e aquela sombra de agressividade que soava anos à frente do tempo deles. Mas foi Lemmy Kilmister, com seu baixo rugindo como um motor de moto e a fúria punk na garganta, quem empurrou de vez a porta que o Sabbath tinha apenas entreaberto.
Curioso é que Lemmy, na época, pouco se importava com ensaios extensos. Enquanto o guitarrista Eddie Clarke e o baterista Phil Taylor afiavam o instrumental, ele preferia aproveitar a farra, até que um dia decidiu anotar, no banco de trás de uma van a 90 por hora, todas as gírias de jogo que transformariam a música em uma lenda.
Hoje, todo riff rápido, todo bumbo dobrado e toda roda de mosh têm uma dívida com aquele baralho que Lemmy sacou do bolso em 1980. Ele odiava tocar "Ace of Spades" em todo show, mas seu legado é exatamente isso: uma roleta de caos que virou religião para quem gosta de metal rápido, sujo e sem frescura, como o próprio Lemmy sempre foi.
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