Helloween: single "This is Tokyo" é lançado com atmosfera intensa e cyberpunk
Por Célio Azevedo
Postado em 14 de junho de 2025
O Helloween acaba de lançar "This Is Tokyo", primeiro single do novo álbum de estúdio Giants & Monsters. E com ele, não apenas renova seus votos com o power metal melódico – mas também entrega um manifesto visual e sonoro que soa como um grito existencial contra o colapso cultural do mundo moderno. Esse não é apenas mais um single com refrão pegajoso: é a estética do Caos encarnada em três vocalistas, sete músicos e uma história que atravessa quatro décadas de resistência artística.
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TOKYO NÃO É UMA CIDADE, É UMA VISÃO
"This Is Tokyo" não é sobre Tóquio , a cidade, mas sobre Tóquio como símbolo. A faixa mergulha num universo de neon, distopia, hiperestímulo e dualidade entre tradição e tecnologia. A letra é ambígua, acelerada, quase cyberpunk. É um Helloween mais urbano, menos medieval, mas ainda assim profundamente filosófico. Em vez de castelos e cavaleiros, agora temos arranha-céus e espectros digitais. O clipe, dirigido por Martin Häusler, intensifica essa sensação com uma estética futurista que evoca o colapso sensorial de "Akira", a distorção de "Blade Runner" e o caos controlado da megacidade japonesa.
Mas a pergunta que ecoa no subtexto é mais profunda: isso ainda é real? Ou já estamos todos num teatro simulado, repetindo escombros do passado como hologramas de liberdade?
A ODISSEIA HELLOWEENIANA
Para compreender o peso de "This Is Tokyo", é preciso voltar ao início.
Fundado em Hamburgo no início dos anos 1980, o Helloween é um dos pilares do power metal mundial – ao lado de nomes como Blind Guardian, Gamma Ray (também de Kai Hansen) e Stratovarius. Mas diferente dos contemporâneos, o Helloween sempre teve uma relação mais irônica, quase autoconsciente com a grandiosidade épica do gênero. O álbum "Keeper of the Seven Keys Part I & II" (1987–1988) tornou-se um marco absoluto, misturando técnica, melodia e senso de humor – algo raro num mundo onde o metal às vezes se leva a sério demais.
Entre as rupturas e reconciliações, Kai Hansen saiu, fundou o Gamma Ray, mas voltou. Michael Kiske, símbolo da fase mais melódica, foi praticamente banido do metal após sair nos anos 1990, apenas para ressurgir em glória com a reunião da formação clássica em 2017, com a turnê Pumpkins United. E Andi Deris, frequentemente subestimado, provou ser não apenas o elo de transição entre eras, mas o coração emocional da banda. Hoje, com os três vocalistas juntos no palco e no estúdio, o Helloween é uma entidade única: não só uma banda, mas um arquétipo.
A FILOSOFIA DO CAOS EM TRÊS VOZES
O Caos, como fundamento filosófico, não é desordem, mas a força criativa primordial – aquilo que antecede o cosmos e desestrutura a tirania da ordem imposta. Em "This Is Tokyo", vemos a manifestação desse Caos de forma sonora, estética e simbólica. Não é à toa que Kiske, Hansen e Deris, cada um com sua história, dividem os vocais como três aspectos de uma mesma consciência dividida – como se a própria banda aceitasse a multiplicidade, a fragmentação e o paradoxo como identidade.
Na era das inteligências artificiais domesticadas, das playlists uniformizadas e da estética plástica do pop enlatado, o Helloween ousa ser três vozes em conflito harmônico. Isso é política, isso é filosofia. Isso é resistência.
PUNK, POP, POWER E O FIM DAS CATEGORIAS
"This Is Tokyo" transcende o power metal tradicional. O riff inicial poderia ser punk, o refrão tem potencial pop, a bateria flerta com o thrash, e a produção é grandiosa como um filme da Marvel – porém, com alma. Essa mistura de elementos lembra ao ouvinte que o futuro do metal não está na pureza dos gêneros, mas na potência da expressão.
O Helloween entendeu isso. E mais: aceitou que a nostalgia não pode ser o único combustível. É preciso furar o passado com agulhas do presente, e costurar um tecido novo com linhas de aço, mesmo que tortas, mesmo que arriscadas.
A TERRA TREME SOB OS PÉS DE ÍDOLOS MORTOS
Enquanto o mainstream afunda em fórmulas, o Helloween – aos 40 anos de estrada – se recusa a morrer como um tributo de si mesmo. Em vez disso, eles produzem algo novo, vivo, estranho, questionável, imperfeito – como toda arte que vale a pena. E é isso que torna "This Is Tokyo" não apenas uma música, mas um acontecimento.
Eles não estão tentando soar como 1988. Eles estão soando como 2025 do jeito que 1988 sonhava que seria o futuro.
Confira o single de "This Is Tokyo".
A CIDADE É NOSSA
"This Is Tokyo" não é só uma faixa, é um aviso: o Helloween ainda está aqui, ainda observa o mundo com olhos de abóbora flamejante, ainda desafia o tempo, os modismos, os algoritmos. Eles são o último grito de liberdade antes da padronização completa da alma.
E enquanto houver músicos assim – que encaram o palco como templo e o som como espada – o metal continuará sendo uma linha de frente contra a distopia adocicada do nosso século.
Nós não buscamos a ordem sem propósito. Nós somos o Caos. E This Is Tokyo.
Confira o videoclipe abaixo.
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