O importante álbum dos Beatles que George Harrison chamou de "passo para trás"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de agosto de 2025
Falar sobre os Beatles é quase inevitável em qualquer roda de fãs de música. Não se trata mais de discutir se eles valem o hype ou não — esse já é um consenso firmado há décadas. As conversas mais interessantes começam quando surgem perguntas específicas, do tipo: "Você prefere John ou Paul?" ou "Qual é o seu álbum favorito dos Beatles?".
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A segunda questão, em especial, costuma acender debates intermináveis. Para muitos, a resposta é "Revolver" (1966), o disco que marcou a verdadeira virada experimental do grupo. Foi nele que surgiram canções como "Tomorrow Never Knows", que estilhaçou os limites convencionais da composição pop, e "Eleanor Rigby", que elevou o uso da orquestra no rock a um patamar inédito. Ao mesmo tempo, era um álbum de melodias precisas, afiadas e atemporais.
Foi também em "Revolver" que George Harrison ganhou um raro momento de protagonismo. Em "Love You To", ele trouxe de forma explícita a influência da música indiana, fruto de sua imersão no aprendizado com Ravi Shankar. Para Harrison, era mais que uma canção: era a chance de abrir uma nova janela para dentro de sua alma artística.
Mas se "Revolver" foi esse ponto de virada, o álbum seguinte, "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ (1967), representou para muitos — especialmente para Paul McCartney — a consagração definitiva da ousadia e da experimentação. Colorido, expansivo e sem limites, o disco ficou marcado como a obra mais revolucionária dos Beatles.
Harrison, no entanto, discordava. Para ele, "Sgt. Pepper" não foi tão revolucionário assim. "De certa forma, parecia um retrocesso. Todo mundo achava que Sgt. Pepper era um disco revolucionário – mas, para mim, não foi tão prazeroso quanto ‘Rubber Soul’ ou ‘Revolver’. Eu já tinha passado por tantas viagens pessoais e estava crescendo para além desse tipo de coisa", confessou o guitarrista (via Far Out).
A frustração vinha do fato de que, apesar de suas novas ferramentas criativas adquiridas na Índia, sua participação no álbum foi mínima. Paul McCartney, anos mais tarde, admitiria. "George não esteve muito envolvido naquele disco. Ele só tinha uma música. Foi a única vez, em todo o álbum, que lembro dele aparecendo de verdade."
George Harrison e "Sgt Pepper’s"
A relação de George Harrison com o álbum "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band" sempre foi ambígua. Enquanto o disco é celebrado como um dos mais revolucionários da história da música, para o guitarrista dos Beatles a experiência de gravá-lo foi marcada por desinteresse e afastamento. "Meu coração ainda estava na Índia. Depois daquilo, tudo parecia apenas ralação", confessou em entrevista anos depois.
Curiosamente, foi justamente esse mesmo álbum que Harrison usou como referência para elogiar o trabalho de outra banda — o The Doors. Segundo relato do jornalista David Fricke no encarte da edição em CD de 2007 do disco "The Soft Parade" (1969), Harrison esteve presente em uma das primeiras sessões de gravação do álbum, em novembro de 1968. Ao ouvir o material que Jim Morrison e companhia estavam preparando, o beatle fez um comentário que surpreendeu os presentes. "Isso me lembra o Sgt. Pepper’s", disse George, descrevendo a produção luxuosa e o espírito experimental do projeto.
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