Por que o Genesis abandonou o rock progressivo e abraçou o pop nos anos oitenta
Por Bruce William
Postado em 27 de setembro de 2025
Durante os anos setenta, o rock progressivo dominava o cenário com álbuns complexos, longas suítes e arranjos grandiosos. Mas a chegada da década seguinte trouxe uma guinada no mercado musical. O público se voltava cada vez mais para o synth-pop, a new wave e o pop radiofônico. Nesse contexto, várias bandas que nasceram no prog buscaram se adaptar, e possivelmente nenhuma transformação foi tão radical - e bem-sucedida comercialmente - quanto a do Genesis, considerado um dos pilares do prog.
A mudança não aconteceu de um dia para o outro, destaca a Loudwire em um texto onde destrincha o assunto, relembrando que já em álbuns do período com Peter Gabriel e Steve Hackett havia composições mais acessíveis, como "Harlequin" ou "Your Own Special Way". Quando Hackett deixou o grupo em 1977, e Phil Collins assumiu de vez os vocais ao lado de Tony Banks e Mike Rutherford, a formação em trio abriu espaço para uma sonoridade mais direta. O disco "...And Then There Were Three..." (1978) já mostrava indícios de um caminho mais pop.

O estopim veio com "Follow You, Follow Me", primeiro grande hit do Genesis nas paradas britânicas. Collins explicou certa vez que a ideia de alcançar o rádio sempre esteve na lista de desejos da banda. O sucesso mostrou que a fórmula funcionava, e a partir de "Duke" (1980) a virada se consolidou, com faixas como "Turn It On Again" alcançando o público sem abandonar totalmente as raízes progressivas.
Outro fator determinante foi a carreira solo de Collins. Com "Face Value" (1981) e o estrondoso sucesso de "In the Air Tonight", ele provou que havia espaço para um som híbrido de pop, rock e R&B. Ao mesmo tempo, Banks e Rutherford também exploravam projetos individuais. A soma dessas experiências deixou claro que o Genesis poderia seguir um rumo mais abrangente, sem se prender às complexidades do prog.
Os críticos ficaram divididos, mas o público respondeu com entusiasmo. Álbuns como "Abacab" (1981), "Genesis" (1983) e "Invisible Touch" (1986) renderam singles que dominaram as rádios e levaram a banda ao topo das paradas nos Estados Unidos, algo impensável nos tempos de "The Lamb Lies Down on Broadway". A decisão de investir no pop foi vista pelos próprios músicos como uma questão de sobrevivência em um mercado em rápida transformação.
Hoje, muitos fãs que torceram o nariz na época reconhecem o valor dessa fase. Ainda que a obra progressiva dos anos 1970 seja considerada insuperável por boa parte da crítica e público, a fase pop trouxe ao Genesis uma projeção global e uma nova geração de seguidores. Como resumiu Mike Rutherford, a transição "era inevitável", e acabou ajudando a definir o legado múltiplo da banda.
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