O megahit de Milton e Elis que RPM cogitou gravar antes de optar por "London London"
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de setembro de 2025
O RPM vivia um momento de explosão em meados dos anos 1980. Com hits como "Olhar 43", "Alvorada Voraz" e "Revoluções por Minuto", a banda se preparava para lançar "Rádio Pirata – Ao Vivo" (1986), que se tornaria o disco mais vendido da história do rock brasileiro. Mas, segundo Fernando Deluqui, o repertório quase incluiu uma canção inesperada: "Conversando no Bar", de Milton Nascimento e Fernando Brant.
A música foi lançada originalmente em 1975, no álbum "Minas", de Milton, e ganhou ainda destaque com a versão de Elis Regina, no disco "Elis" (1974). A letra, que carrega o famoso verso "Nas asas da Panair", carrega forte carga simbólica, já que trata do fim da companhia aérea homônima durante a ditadura militar.

Em entrevista ao Corredor 5, Deluqui contou que a ideia partiu de Paulo Ricardo: "O Paulo foi atrás do que fazer, ele gostava de uma música da Elis Regina que é muito bonita, que é o 'nas asas da Panair'", relembrou. O guitarrista destacou que a intenção era dar ao show um momento de intimidade e respiro no meio da energia do rock: "O Ney Matogrosso [produtor] sempre falava: 'Tá faltando uma quebra, um momento diferente, de outra energia, quase zero, para depois voltar a subir'. E essa música poderia ser esse momento."
No fim das contas, a escolha recaiu sobre outras versões que acabaram se tornando clássicos no repertório do grupo. "Quando falaram London London, eu falei: 'Porra, bicho, London London é do caralho'. Sempre gostei dessa música, porque eu ouvia na voz da Gal na Bandeirantes FM em 75, 76, quando estourou. E deu super certo no show", afirmou Deluqui. O RPM também homenageou o Secos & Molhados com "Flores Astrais", outra faixa que entrou no disco ao vivo.
A música "Conversa de Bar"
Segundo o site do jornalista Milton Ribeiro, a canção "Saudade dos Aviões da Panair", composta por Milton Nascimento e Fernando Brant em 1975, nasceu com um título diferente: "Conversando no Bar". O motivo era simples e triste - na época, era arriscado demais falar abertamente em Panair e na saudade da empresa, desmontada de forma abrupta pelos militares após o golpe de 1964.
A Panair do Brasil era motivo de orgulho nacional, símbolo de modernidade em um país ainda pobre e pouco industrializado. Em fevereiro de 1965, um telegrama do Ministério da Aeronáutica cassou o certificado de operação da companhia, sob alegação de dificuldades financeiras. Na mesma noite, tropas do Exército ocuparam seus hangares, e a Varig assumiu imediatamente todas as linhas e propriedades da concorrente. Décadas depois, em 1984, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que a falência da Panair foi uma fraude.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Prestes a completar 80 anos, baterista Chris Slade (AC/DC, The Firm) anuncia aposentadoria
A saga de Christopher Lee no Heavy Metal
A canção de metal que é a "melhor música do mundo" de acordo com Jack Black
A canção do Led Zeppelin que Robert Plant acha difícil cantar até hoje
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
O lendário baterista com quem Keith Richards odiou tocar: "Não tocava p*rra nenhuma!"
Regis Tadeu afirma que Ozzy Osbourne nunca escreveu uma letra na vida
Roger Waters explica por que o Pink Floyd descartou participação de Paul McCartney no "Dark Side"
Para guitarrista, produtor é 99% responsável por sucesso do Def Leppard
Children of Bodom é anunciado como atração do Summer Breeze 2027
Não gostar do "Black Album" é uma coisa, negar sua importância é outra
A curiosa experiência de Demi Lovato no show do Dimmu Borgir, segundo a própria
A proposta que Wolf Hoffmann fez para Udo seguir como vocalista do Accept
Falece Barry Mitchell, ex-baixista do Queen
Os 5 melhores álbuns de Bob Dylan na década de 60, segundo a Uncut

O dia em que o RPM rompeu com Milton Nascimento por causa de direitos autorais
RPM - O Legado lança o álbum duplo "Visceral" com participações de nomes do rock brasileiro
Paulo Ricardo revela a verdadeira origem de "Rainha", clássico do RPM
O compositor dos anos 80 que Paulo Ricardo coloca acima de Cazuza e Renato Russo
O clássico "lado B" do RPM que merece ser regravado, segundo Paulo Ricardo
O álbum do Metallica que Paulo Ricardo adora: "Obra-prima, canções maravilhosas"
"Inventaram que o RPM acabou porque eu queria cantar", diz Fernando Deluqui
O significado da letra de "Juvenília", do RPM, segundo Paulo Ricardo


