O álbum que Roger Waters aceitou as críticas numa boa: "As facas vão aparecer"
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de setembro de 2025
Roger Waters sempre foi um artista movido pela inquietação criativa. Dentro ou fora do Pink Floyd, sua carreira foi marcada por projetos conceituais grandiosos e pela busca incessante por novas formas de expressão. Se nos anos 1970 ele ajudou a transformar o rock progressivo em ópera moderna com discos como "The Wall" (1979), na década seguinte decidiu explorar um território ainda mais ousado: a ópera clássica.
Em 1988, Waters finalizou "Ça Ira", um trabalho para orquestra inspirado na Revolução Francesa, baseado no libreto dos escritores Étienne e Nadine Roda-Gil. A obra só seria lançada oficialmente em CD em 2005, mas já na época dividiu opiniões entre críticos e especialistas. Apesar de ter conquistado fãs de peso, como o então presidente francês François Mitterrand - que chegou a pressionar a Ópera de Paris para encená-la no bicentenário da Revolução -, "Ça Ira" foi alvo de críticas pela estrutura narrativa e pela partitura considerada conservadora.

Waters, no entanto, encarou as reações negativas com naturalidade. "Entendo que as facas vão aparecer - isso é inevitável", disse em entrevista ao CDNow em 1999 (via Far Out). "Mas acho que muitos compositores sérios estão presos a formas acadêmicas que soam estéreis e frias. Eu acredito que criei uma obra melódica e emocional, algo que pode emocionar as pessoas. O libreto se conecta muito ao que fiz antes, porque tem esse elemento humano."
O que dizem os críticos de Roger Waters
Na avaliação publicada pela AllMusic, o crítico Tio Dave Lewis destacou que fãs do Pink Floyd poderiam estranhar a ausência de elementos característicos do rock progressivo: "Os fãs do Pink Floyd encontrarão pouco em 'Ça Ira' para satisfazer sua paixão pelo 'Floyd'", escreveu. Segundo ele, embora Waters mantenha alguns traços de sua estética - como "andamentos esmagadoramente lentos, canto sombrio e gravações impecáveis de efeitos sonoros" - a obra sofre com melodias pouco marcantes e personagens sem profundidade.
Lewis elogiou os cantores de ópera Bryn Terfel e Ying Huang, mas notou a dificuldade de transmitir emoção em papéis tão fragmentados: "Ça Ira seria uma ópera difícil de ser amada por um cantor, pois não há caracterização alguma através do canto, e os próprios personagens não têm espaço suficiente para nos envolver". A orquestração, embora sofisticada, também foi descrita como monótona: "Onde quer que esteja o fundamental do movimento harmônico, a linha melódica o segue… mas isso não constitui melodia em si mesma."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
O disco obscuro que Roger Waters acha que o mundo precisa ouvir; "Um álbum muito importante"
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo



Roger Waters conta como "Hey You" entrou em "The Wall" na última hora e mudou o lado 3
O prato onde o Pink Floyd comeu, apesar de Roger Waters torcer o nariz para o cardápio
Roger Waters, ex-Pink Floyd, relembra o dia que conheceu John Lennon - e se arrependeu


