A música sobre melancia e infância que fez Ricardo Confessori voltar ao Angra
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de outubro de 2025
Em 2008, Rafael Bittencourt vivia um momento de reinvenção pessoal e artística. Com o Angra em pausa e projetos paralelos fervilhando, o guitarrista decidiu registrar novas ideias no disco "Brainworms I", do Bittencourt Project. O álbum unia composições antigas e inéditas, incluindo a curiosa faixa instrumental "Comendo Melancia" - uma música que, de forma inesperada, acabou sendo o ponto de reencontro entre Rafael e o baterista Ricardo Confessori, marcando o caminho para seu retorno ao Angra após a saída de Aquiles Priester.

"Eu estava fazendo o Brainworms e um dos parceiros que colaborava comigo era o Thiago Bianchi, que cantava no Shaman", contou Rafael em entrevista ao jornalista Gustavo Maiato. "O Thiago sugeriu: 'Pô, não seria legal se você chamasse o Ricardo pra gravar também, como convidado?'". A ideia soava natural: Confessori havia sido o baterista original do Angra na fase do clássico "Holy Land" (1996) e estava, na época, em uma formação alternativa do Shaman.
A música escolhida para a colaboração foi justamente "Comendo Melancia", uma composição instrumental que Rafael já havia lançado anos antes, em um projeto ligado à revista Cover Guitarra. "Quando gravei essa música lá atrás, o Ricardo foi o batera. Então falei para o Thiago: 'Tua vez! Vê se ele topa'. Ele topou, gravou de novo, e isso acabou reaproximando a gente", relembrou.
A origem da faixa é quase tão curiosa quanto seu título. "É provavelmente a única música instrumental de guitarra que eu compus", contou Bittencourt. "Precisava de um nome, e como é algo abstrato, fiquei pensando nas cores e sensações da harmonia. A música está em Lá com sétima menor, e para mim o Lá é vermelho. A sétima, que é o Sol, às vezes é verde. Vermelho, verde… pesado… e com harmônicos, que são como os carocinhos. Pensei: é uma melancia!"
O título acabou ganhando um significado afetivo. "Lembrei da infância, de comer melancia com os primos na praia. Era alegre, alto-astral, uma coisa que se compartilha - e a música também é isso: algo que a gente divide. Então virou Comendo Melancia e compartilhando música", explicou o guitarrista.
A colaboração reacendeu a amizade entre os dois músicos e abriu caminho para algo maior. "Quando o Aquiles saiu e a gente precisava de um baterista, o primeiro nome que me veio à cabeça foi o Ricardo. Pensei: 'Agora que estou mais próximo dele, seria muito legal ele voltar'", contou Rafael.
O reencontro culminou na gravação do álbum "Aqua" (2010) e em uma nova turnê europeia do Angra, consolidando a segunda era do grupo. "Foi um momento muito bom para o metal melódico - Nightwish, Symphony X, Blind Guardian, Stratovarius… todo mundo estava em alta".
Assista a entrevista completa abaixo.
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