A banda que Eddie Van Halen tinha como referência de som para a sua própria banda
Por Bruce William
Postado em 19 de outubro de 2025
Nos anos 1970, o Van Halen virou de cabeça para baixo a guitarra de rock, do som marrom (brown sound) ao tapping como base de músicas inteiras. Mas, antes de soar "de outro planeta", a banda ainda buscava um rumo a tomar no estúdio, uma referência que Eddie levava como objetivo quando pensava no som do grupo nas gravações.
Ao relembrar o período das primeiras fitas para a Warner, Eddie foi literal sobre o que esperava ouvir, conforme reproduziu a Van Halen News Desk: "Enfiamos a fita no player da minha van e esperávamos ouvir o Led Zeppelin saindo dali, mas ficamos meio horrorizados com o que ouvimos. Simplesmente não soava do jeito que queríamos. O primeiro álbum soa um pouco melhor, mas ainda não era como imaginávamos que deveria soar. É um som muito único. Eu nem saberia como duplicá-lo, pra falar a verdade."

Parte da frustração vinha do contraste entre palco e estúdio. Boa parte do repertório do debut foi registrada quase como no show, com pouquíssimos overdubs, e Ted Templeman privilegiou capturar a banda tocando junto. A energia é inegável, mas Eddie e Alex queriam um impacto que, na cabeça deles, lembrasse a pancada dos primeiros discos daquela referência, sem perder a identidade própria, relembra a Far Out.
O parâmetro não era copiar licks ou timbres; era o conjunto, a sensação de banda colossal. A comparação incluía bateria com presença esmagadora, guitarras com corpo e um "peso" de mix que, ao menos nas demos, eles sentiram faltar. Daí a decepção inicial ao comparar expectativa e resultado. Com o tempo, o Van Halen foi se aproximando do que a própria cabeça da banda entendia como potência em estúdio - sem deixar de soar inconfundível. Há quem veja esse avanço a partir de "Women and Children First" (1980), leitura que aparece em balanços recentes sobre a trajetória do grupo.
Mesmo assim, o depoimento de Eddie na Van Halen News Desk diz mais sobre nível de exigência do que sobre inferioridade. Ele não escondeu a admiração pelo modelo que tinha em mente, mas reconheceu que o resultado final foi singular - a tal ponto de considerar "induplicável" o som do próprio primeiro álbum. O alvo era claro; o caminho acabou sendo outro, e foi justamente esse desvio que cunhou um estilo.
No fim das contas, a banda que Eddie usava como régua de impacto em estúdio ajudou a explicar por que o Van Halen soava ainda mais pesado ao vivo, e por que, disco a disco, o grupo perseguiu um "peso" próprio, sem abandonar a pressa, o humor e a inventividade que o colocaram em uma prateleira só dele.
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