Artigo na Metal Hammer defende "No Prayer for the Dying", álbum do Iron Maiden
Por João Renato Alves
Postado em 09 de outubro de 2025
Rich Hobson, colaborador da revista britânica Metal Hammer, publicou um artigo onde defende o álbum "No Prayer for the Dying", lançado pelo Iron Maiden em 1990. Com o título "Todo mundo acha que este é um dos piores álbuns do Iron Maiden. Eis o porquê de todos vocês estarem enganados", o texto reconhece que o disco não está no nível dos grandes clássicos, mas exalta suas qualidades.
"O Iron Maiden não conseguiu errar nos anos 80. Desde seus primeiros trabalhos que os coroaram como reis da NWOBHM até os sucessos no topo das paradas com 'Number Of The Beast' e 'Seventh Son Of A Seventh Son', eles emergiram da década como uma das bandas de metal mais bem-sucedidas. Anos 90? Nem tanto.

Até o fã mais fervoroso admitirá que a segunda década do Maiden foi muito mais heterogênea do que a primeira. Mas, embora os anos - e os álbuns - de Blaze Bayley tenham alguns detratores (e vários defensores), há um álbum no final da primeira gestão de Bruce Dickinson na banda que parece ser quase universalmente criticado: 'No Prayer For The Dying'. A questão é... por quê?
A história de sua concepção é bem conhecida. O Maiden tirou um ano de folga em 1989, mas em vez de revitalizar a banda mais icônica do metal, aprofundou as divisões internas. O guitarrista Adrian Smith saiu, e com Bruce Dickinson começando a mostrar seus músculos solo, você não precisava ser Mystic Meg para ver que estava escrito na parede que ele também estava ficando ansioso.
Mesmo assim, o Maiden continuou sendo uma força criativa formidável. A maioria das críticas ao 'No Prayer' se concentrará na ideia de que voltar ao básico, de alguma forma, roubou da banda um pouco da magia da composição. Embora eu não vá argumentar que as músicas deste álbum estão no mesmo nível de 'The Trooper', 'Run To The Hills' ou 'Flight Of Icarus', há uma franqueza refrescante na música que o Maiden estava fazendo naquele momento, cortando o supérfluo para criar algo agressivo e direto.
Falando nisso: os vocais de Bruce. Nosso suserano operístico não está imitando Sid Vicious no 'No Prayer...', mas há uma ameaça em sua voz rouca que realmente demonstra que o Maiden busca algo mais urbano. Na melhor das hipóteses, isso resulta em 'Holy Smoke' - um hino galopante do Maiden em sua melhor forma, que cospe e rosna de maneiras que a banda raramente fez desde então, mirando os televangelistas com versos venenosos como 'Eu vivi na sujeira, eu vivi no pecado/E ainda cheiro mais limpo do que a merda em que você está'.
Mas ainda há nuances da grandeza épica inerente ao Maiden. A faixa-título é uma demonstração brilhante de como Janick se encaixa no molde do Maiden, enquanto o pontapé inicial de 'Fates Warning' parece uma continuação da força vigorosa de 'The Clairvoyant' de seu disco anterior, embora com o benefício adicional do rosnado áspero de Bruce.
Claro, a maior história de 'No Prayer' foi que deu ao Maiden - e ao metal como um todo - seu primeiro single número um no Reino Unido. 'Bring Your Daughter To The Slaughter' foi criada por Bruce Dickinson e Janick Gers como uma contribuição para a trilha sonora do quinto episódio de 'A Hora do Pesadelo'. Quando Steve Harris ouviu a música, reconheceu seu valor e pediu a Bruce que a tirasse do seu álbum de estreia solo para que o Maiden pudesse regravá-la.
Sim, é mais exagerada do que um assado de porco em uma reunião de família do Gaguinho, mas isso não impede que 'Bring Your Daughter...' seja um clássico absoluto do metal. As letras sábias, irônicas e a estética de terror exageradamente exagerada combinam perfeitamente com o país que deu origem ao Hammer Horror, e a faixa continua sendo um hino absolutamente irresistível, com gritos de 'Let her go!' tão satisfatórios de se juntar.
Seria ridículo sugerir que 'No Prayer' não tem suas desvantagens, mas seu pecado mais óbvio parece ser ter quebrado uma mitologia que o Maiden vinha construindo há uma década. Assim como 'Another Perfect Day', do Motörhead - outro álbum que foi criticado, mas merece ser reavaliado - 'No Prayer...' representava o Maiden se esforçando diante da adversidade.
Abordado com seriedade e uma sensação geral de tentar agitar as coisas, 'No Prayer' é um triunfo sobre qualquer banda ou álbum que tenha se conformado silenciosamente com fórmulas nas décadas desde seu lançamento. Não é perfeito, mas, meu Deus, como é gratificante ouvir uma big band se apresentando."
Oitavo álbum de estúdio do Iron Maiden, "No Prayer for the Dying" marcou a entrada do guitarrista Janick Gers, em substituição a Adrian Smith – que ainda colaboraria com uma composição no tracklist, "Hooks in You". A sonoridade era mais básica em comparação aos antecessores diretos.
Foi o primeiro disco da banda a ser gravado em território inglês desde "The Number of the Beast". O grupo alugou a lendária unidade móvel dos Rolling Stones, muito usada por várias bandas clássicas da história do rock. Ganhou disco de ouro nos Estados Unidos e Reino Unido, onde chegou ao segundo lugar na parada.
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