As 5 bandas que já faziam punk antes do punk existir, segundo Andre Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de novembro de 2025
O surgimento do punk costuma ser apontado para meados de 1976, quando Ramones, Sex Pistols e The Clash explodiram em Nova York e Londres. Mas, como lembra André Barcinski em vídeo publicado em suas redes, muito antes desse marco existiam grupos que tocavam um rock mais pesado, rápido e agressivo - bandas que ainda não tinham rótulo, mas já empurravam as fronteiras do hard rock, da psicodelia e do garage. Esse terreno fértil produzido entre o fim dos anos 1960 e início dos 70 acabou moldando o que viria a ser o punk rock.

No vídeo, Barcinski explica que o chamado protopunk - ou pré-punk - reúne artistas que prenunciaram a estética crua e direta que ganharia forma alguns anos depois. "Quando você ouve hoje, fala: 'nossa, isso aqui parece punk' ou 'parece stoner', 'parece heavy metal'. E aí você vê que o disco é anterior ao marco zero desses estilos", comenta o jornalista. Ele ainda ressalta que deixou de fora nomes óbvios como Velvet Underground, New York Dolls, Stooges e MC5 para destacar grupos menos conhecidos, mas igualmente fundamentais.
Punk e protopunk
A primeira escolha de Barcinski é o Hawkwind, instituição inglesa da contracultura e do space rock. Com passagens de nomes lendários - de Ginger Baker a Lemmy Kilmister - o grupo sempre transitou entre psicodelia, peso e caos organizado. O jornalista lembra que "Silver Machine", sucesso da banda, soa quase como um heavy metal acelerado, apesar de ter sido lançada há mais de cinco décadas. Segundo ele, vale explorar os primeiros discos e coletâneas para perceber como o Hawkwind influenciou não apenas o metal, mas também a ferocidade que seria associada ao punk.
Em seguida, Barcinski cruza o Atlântico para falar do Blue Cheer, power trio de São Francisco frequentemente citado como um dos pilares do hard rock pesado. Os americanos ficaram conhecidos pelo volume absurdo e pela abordagem quase proto-metal. Uma das histórias lembradas por Barcinski é a demissão de Leigh Stephens, guitarrista expulso "por ser careta demais". "Foi um caso raro de artista mandado embora da banda por não tomar drogas", brinca. Para ele, ouvir os primeiros discos do Blue Cheer é essencial para entender a transição entre hard rock e o embrião do metal e do punk.
Voltando à Inglaterra, o jornalista destaca o Dr. Feelgood, um dos nomes mais influentes do pub rock. Liderados pelo guitarrista Wilko Johnson - cujo estilo staccato guiou gerações do pós-punk - os ingleses faziam um rhythm and blues agressivo, direto e furioso. "Ao vivo, era uma coisa assim… completamente estriquinada", comenta Barcinski, citando o disco Stupidity, clássico absoluto do grupo. Seus dois primeiros álbuns, Down by the Jetty e Malpractice, também são recomendados como porta de entrada.
Da Inglaterra para Ohio, ele cita os cultuados Electric Eels, banda de vida curtíssima e altamente influente na cena de Cleveland. Nunca lançaram um LP completo, apenas compactos que mais tarde foram compilados. Barcinski compara o som do grupo a "uma mistura de Stooges com caos absoluto", lembrando que músicos como Stiv Bators (Dead Boys) e integrantes do Cramps orbitavam pela mesma cena. O baterista Nick Knox, que depois faria parte da formação clássica do Cramps, chegou a tocar com os Electric Eels nos primeiros dias.
A lista se encerra com The Sonics, talvez o nome mais importante de todo o protopunk, na visão de Barcinski. Formados no início dos anos 1960 em Tacoma, Washington, os Sonics criaram um garage rock brutalmente acelerado, distorcido e tematicamente insano para a época. "Se tivesse que falar um marco zero do punk, são os Sonics", afirma o jornalista. Ele lembra que entrevistou remanescentes da banda em seu livro Encontros com criaturas notáveis, destacando como o isolamento geográfico da região levou o grupo a desenvolver um som singular, pesado e selvagem - reverenciado posteriormente por MC5, New York Dolls e inúmeros punks.
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