David Ellefson admite que Megadeth "jogou o jogo" na fase do álbum "Risk"
Por João Renato Alves
Postado em 28 de novembro de 2025
Lançado em 31 de agosto de 1999, o álbum "Risk" é um dos mais controversos da carreira do Megadeth. É verdade que os trabalhos anteriores já evidenciavam uma tendência da banda em fazer um som acessível, emplacando hits nas rádios. No entanto, foi nele que Dave Mustaine e companhia abraçaram de vez uma sonoridade que afastou boa parte dos fãs dos primórdios.
Entrevistado pelo podcast 100 Songs That Define Heavy Metal, David Ellefson deixou claro que o quarteto sabia onde estava se metendo. O ex-baixista admitiu que a ideia era sobreviver a um mercado que não era mais tão receptivo ao heavy metal e seus desdobramentos quanto em um passado não tão distante.

"A gente jogou o jogo. O mundo do entretenimento é um jogo. Você precisa entrar nele. E, veja bem, parte disso é o seu próprio interesse. Você quer sobreviver ou não? Quer voltar para a estrada, pagar a hipoteca no ano que vem? Bom, então a gente tem que entrar no jogo. Às vezes você fica um pouco dependente das algemas douradas do pagamento. Como em qualquer negócio - é como qualquer pessoa indo trabalhar. Faça o que o chefe manda. Bom, às vezes o chefe na música não é ninguém da banda; o chefe é o público. Aliás, eles são sempre os chefes, para ser sincero. Eles praticamente ditam o rumo da sua carreira."
O músico também deixou claro não aderir à ideia de que o grunge teve responsabilidade na "morte" do metal. "Os caras daquelas bandas de Seattle eram nossos fãs. Eles ouviam Slayer, Metallica, Megadeth... Sempre apoiei o grunge, gosto de vários grupos do movimento. O material do Nirvana, em sua maior parte, tinha uma pegada punk e era muito legal de se ouvir."
Apesar de procurar ver pelo lado positivo, Ellefson também reconhece que "Risk" foi um trabalho que passou do ponto. "Levamos a ideia de sermos uma espécie de banda de rock melódico para as rádios até onde podíamos. Acho que 'Cryptic Writings' foi o nosso grande sucesso. Foi um disco muito bem-sucedido. E, sim, musicalmente você pode ouvir que há um grande espírito nele, que é autêntico, que ainda somos nós, apenas mudando um pouco as regras do jogo para que pudéssemos explorar algumas coisas. Em 'Risk', como disse nosso amigo e ex-empresário Larry Mazer, nós fomos para um lado e o resto do mundo para o outro. Acho que essa foi a melhor maneira de ver. Nós fomos mais leves e o resto do regime do rock moderno, do metal moderno, foi ficando cada vez mais pesado. Levou alguns anos para corrigir o rumo e voltar à rota correta depois disso."
Oitavo disco de estúdio do Megadeth, "Risk" foi o último a contar com o guitarrista Marty Friedman e o primeiro do baterista Jimmy DeGrasso. A sonoridade, que já vinha se modificando nos trabalhos anteriores, deu uma guinada ainda mais radical, acrescentando elementos de rock alternativo e industrial, o que desagradou boa parte dos fãs.
O título foi inspirado em uma conversa de Dave Mustaine com Lars Ulrich. O baterista do Metallica teria declarado que o Megadeth precisava "correr mais riscos" em sua música. Bud Prager, manager, também incentivou a banda a soar mais contemporânea.
"Crush' Em" foi o maior sucesso, aparecendo na trilha sonora do filme "Soldado Universal II: O Retorno", além de figurar em transmissões de jogos da Liga Nacional de Hóquei (NHL) e eventos de wrestling. Chegou ao 16º lugar na parada americana. Em 2004, foi lançado em versão remixada e remasterizada, ganhando faixas bônus e nova capa.
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