O supergrupo que Robert Plant recusou convite para entrar por achar "complicado demais"
Por Bruce William
Postado em 24 de novembro de 2025
Quando o Led Zeppelin decidiu encerrar as atividades após a morte de John Bonham, em 1980, não foi apenas o fim de uma banda gigante, uma das maiores do rock e da música. Para Jimmy Page, aquilo significava também perder o grupo que ele tinha montado tijolo por tijolo desde os tempos dos Yardbirds. Robert Plant, por sua vez, ainda lidava com o luto do amigo baterista e com o peso de tudo o que o Zeppelin tinha representado na década anterior. Ninguém ali parecia realmente pronto para simplesmente "começar de novo".
Mesmo assim, Page não ficou muito tempo totalmente parado. Ao longo dos anos 1960 e 70, ele sempre foi o tipo de músico que resolve seus problemas montando uma banda, chamando gente para tocar e tentando transformar qualquer encontro em projeto. Não é surpresa, então, que poucos meses depois do fim do Zeppelin ele já estivesse deixando uma nova ideia no ar, ainda que sem saber direito se buscava um grupo fixo, um passatempo ou apenas um motivo para sair de casa e tocar com outros músicos.

No fim de 1980, em uma festa de fim de ano, Page cruzou com dois instrumentistas que também estavam "órfãos" de banda. Eles vinham de um grupo inglês que acabara de desmanchar a formação clássica e carregavam na bagagem uma mistura de rock pesado com estruturas bem mais elaboradas. Conversa vai, conversa vem, os três acabaram indo para a velha solução de sempre: pegar instrumentos, ligar os amplificadores e improvisar algumas ideias ali mesmo.
Foi desse encontro que nasceu o esboço de um supergrupo batizado informalmente de XYZ - sigla que juntava "ex-Yes" e "Zeppelin". Os outros dois músicos eram o baixista Chris Squire e o baterista Alan White, ambos do Yes. A sonoridade tinha a mão de Page na guitarra, mas carregava bastante do estilo mais complexo do antigo grupo dos dois, com mudanças de clima, passagens intrincadas e arranjos bem diferentes do que o público do Zeppelin estava acostumado a ouvir. A peça que faltava, na cabeça de todo mundo, era a voz - e o nome óbvio para assumir esse posto era Robert Plant.
Plant chegou a ir a um dos primeiros ensaios para sentir o clima e ouvir o material. A partir daí, porém, a empolgação esfriou. Alan White contou depois que o ex-colega de Zeppelin não se convenceu da proposta, relembra a Far Out: "O Robert achou que a música era complicada demais. Ele veio, ouviu, e eu acho que pensou exatamente isso - ou então poderíamos ter tido, naquela época, uma espécie de banda Yes-Zeppelin". Segundo o baterista, a própria ideia de juntar aquelas duas escolas em uma banda só parecia boa demais para ser verdade e acabou assustando parte dos envolvidos.
Também pesa o contexto emocional da época. Para Page, aquele foi "a primeira coisa que fiz depois que perdemos o John Bonham", ou seja, a primeira tentativa de projeto depois da morte do baterista. Para Plant, voltar a dividir um palco ou um estúdio com o antigo parceiro de Led Zeppelin sem a presença de Bonham - e sem envolver John Paul Jones - provavelmente soava como algo precipitado demais. A recusa não veio em forma de briga pública, mas na prática foi simples: ele ouviu, agradeceu e não voltou mais.
Sem o vocalista que todos imaginavam para o posto, o XYZ nunca passou da fase de ensaios e demos. As gravações circulam há anos em bootlegs entre colecionadores, mostrando Page, Squire e White trabalhando em ideias que nunca chegaram a virar álbum. Chris Squire e Alan White acabariam se envolvendo em projetos que levaram à retomada do próprio Yes, enquanto Jimmy Page seguiria adiante em experiências como The Firm e parcerias pontuais. Plant, por sua vez, consolidou de vez a carreira solo, mergulhando em outro tipo de repertório e deixando aquele "Yes Zeppelin" apenas como uma curiosidade do começo dos anos 80 que nunca saiu do papel.
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