O famoso escritor que Arnaldo Antunes ainda não conseguiu parar para ler
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de novembro de 2025
Durante uma entrevista no programa Provoca (TV Cultura), Arnaldo Antunes revelou algo que surpreendeu parte dos fãs mais atentos à sua faceta literária: o ex-Titã, poeta e pensador, ainda não conseguiu concluir - ou sequer mergulhar de vez - na monumental obra de Marcel Proust, "Em Busca do Tempo Perdido".
"Eu tenho que ler Proust", disse Arnaldo, com a naturalidade de quem confessa um pecado leve. "É um dos meus projetos de leitura. Mas só quando tiver umas férias, um tempo largo assim, para mergulhar. Eu já tentei - comecei a ler o primeiro volume numa férias e estava adorando. Mas aí voltei das férias, caí no cotidiano atribulado, e interrompi a leitura."

Ao ouvir a confissão, o apresentador comentou com ironia: "O cotidiano… nem no amor a gente aguenta." O apresentador, então, mudou o rumo da conversa para uma questão que ronda os grandes artistas: a morte. "Como é que você gostaria de morrer, Arnaldo?", perguntou.
Sem hesitar, o músico respondeu: "Acho que sem aviso. Sem saber. De repente. Assim, o mais rapidamente possível." O apresentador, surpreso, completou: "Isso daí, quem não quer? Todos nós. Essa é a morte santa." Com serenidade, Arnaldo devolveu: "A morte que eu não quero é aquela que se arrasta. Essa é um horror." A conversa seguiu para o além - literalmente. O jornalista quis saber o que Arnaldo pensa que acontece depois da morte. "O bom é não saber", respondeu ele, em tom quase zen.
O apresentador, então, entregou o programa ao poeta: "Esse é o programa mais livre do mundo. Você pode olhar praquela câmera e dizer o que quiser - sobre o país, o mar, o ar, Deus, o diabo, o que for. A vida é sua."
Arnaldo respirou e citou o compositor e artista experimental John Cage, num gesto que parece resumir toda a sua filosofia: "Eu estou aqui e não tenho nada a dizer. E o estou dizendo."
Logo depois, Arnaldo recitou um de seus textos mais emblemáticos, como se respondesse, em forma de poesia, a tudo o que havia sido perguntado:
"A poesia está guardada nas palavras,
é tudo que eu sei.
Meu fado é não entender quase tudo.
Sobre o nada tenho profundidades.
Poderoso, pra mim,
não é aquele que descobre o ouro,
mas aquele que descobre
as insignificâncias do mundo -
e as nossas."
Ao final, comovido, ele concluiu o poema com uma confissão que mistura humildade e ironia.
"Por essa pequena sentença,
me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado
e chorei.
Sou fraco para elogios."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



11 bandas que nunca fizeram um disco tão bom quanto o primeiro
19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
5 hits de 2001 que ainda serão ouvidos 100 anos depois, segundo a Far Out
A expectativa de Derrick Green para uma banda pesada depois do Sepultura
Steve Harris defende o criticado álbum do Iron Maiden que foi gravado num celeiro
5 clássicos do rock que chegam ao ápice já na introdução, segundo a Far Out Magazine
O melhor álbum e a melhor faixa do heavy metal de 1980, segundo a Noise Creep
O dia em que Steve Harris foi a um show do Metallica e elogiou Dave Mustaine
Megadeth anuncia turnê europeia com Black Label Society e Testament para 2027
O guitarrista que Jimmy Page chamou de gênio antes da fama: "Facilmente o melhor"
O clássico do rock que explodiu no verão de 1972 e volta todo ano na mesma época
O álbum do Pink Floyd que Richard Wright rejeitou e jogou nas costas de Roger Waters
Canhão do palco cai do lado e assusta Brian Johnson durante show do AC/DC em Las Vegas
Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Lucas Inutilismo

A reação de Malu Mader e Marcelo Fromer à saída de Arnaldo Antunes dos Titãs




