O guitarrista que Mick Jagger elogiou, e depois se arrependeu
Por Bruce William
Postado em 15 de novembro de 2025
Antes de se tornar figura associada a histórias de atritos, mudanças de banda e decisões radicais, Ritchie Blackmore já acumulava algo que poucos guitarristas podiam reivindicar: respeito declarado de outros gigantes do rock. Entre essas memórias, uma delas envolve ninguém menos que Mick Jagger, um elogio generoso em público e um fim de relação provocado pelo próprio Blackmore pouco tempo depois.
Quando a entrevista com Ritchie Blackmore saiu na Rolling Stone de abril de 1975, o guitarrista ainda era apresentado como a "mão guiando" o Deep Purple, mas vivia uma fase de desgaste interno que pouquíssimo tempo depois resultaria em sua saída da banda, pois ele era um músico respeitado pelos pares e ao mesmo tempo conhecido pelo temperamento difícil. Em conversa com Cameron Crowe, ele voltou alguns anos no tempo para lembrar a fase em que circulava pela cena londrina como jovem prodígio e acumulava elogios de gente grande, inclusive de Mick Jagger.
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Blackmore conta que começou a carreira profissional aos 17 anos, como guitarrista e arranjador de Screaming Lord Sutch, e rapidamente virou assunto entre as bandas que importavam. "Todos os grandes grupos me conheciam e falavam maravilhas de mim", recorda. Entre esses episódios, citou um show ao lado dos Rolling Stones e disse que, depois daquela apresentação, ouviu um elogio que não esqueceu: segundo ele, Mick Jagger declarou em uma entrevista que Ritchie era o melhor guitarrista que já tinha visto.
A história poderia ter rendido uma amizade duradoura, mas Blackmore faz questão de explicar por que não foi bem assim. Em outro momento, decidiu criticar publicamente os Stones, atitude que ele mesmo assume como o ponto de ruptura. "Depois ataquei os Stones na imprensa e aquela amizade acabou ali", resumiu, sem pedido de desculpa e sem tentar amenizar o estrago. O elogio do vocalista se transformou em nota de rodapé numa relação encerrada pelo jeito direto com que Blackmore costumava falar sobre colegas de profissão.
O episódio, registrado na Rolling Stone de 1975 e resgatado no arquivo de Cameron Crowe, ajuda a desenhar o retrato de um músico que sabia exatamente o valor que tinha e não se preocupava em preservar conexões apenas pelo peso do nome envolvido. De um lado, o respeito de alguém como Mick Jagger, que não distribuía esse tipo de declaração à toa; de outro, um guitarrista disposto a bancar suas opiniões, mesmo que isso custasse a simpatia da maior banda de rock do planeta.
Em resumo: a anedota serve menos como curiosidade e mais como confirmação do que o próprio Blackmore sempre passou: alguém que via reconhecimento como consequência do que tocava, não como motivo para medir palavras quando decidia falar.
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