O disco da fase roqueira rejeitado por Elton John; "tenho muita dificuldade de ouvir"
Por Bruce William
Postado em 23 de fevereiro de 2026
Artista costuma ter uma relação bem diferente da nossa com a própria obra. O público se apega à música pronta, à memória e ao impacto que ela causa; quem gravou, muitas vezes, volta anos depois ouvindo detalhe técnico, insegurança de interpretação e coisas que gostaria de ter feito de outro jeito. E foi exatamente esse tipo de incômodo que Elton John já expôs ao falar de um dos discos mais lembrados de sua fase clássica.
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Elton John ganhou fama e fortuna sendo um artista pop, disso não há muito o que discutir. Só que a carreira dele nunca ficou presa a uma caixinha simples, e em vários momentos a obra dele encostou no rock com força, seja na pegada da banda, no piano mais agressivo, no clima de estrada ou em arranjos mais densos. E é justamente nesse terreno - essa fase em que ele circulava entre baladas, canções de cantor e compositor e momentos mais roqueiros - que entra "Madman Across the Water" (1971).
A implicância de Elton com o disco não passa pelas composições em si. Pelo contrário: ele já deixou claro que gosta das músicas. O problema, para ele, está principalmente no próprio desempenho vocal. Ou seja, não é um caso de "esse álbum foi um erro completo", mas de um artista ouvindo a própria gravação anos depois e ficando incomodado com o resultado da voz.
"A ironia é que, quando as pessoas vêm me dizer que gostam da minha música, eu digo: 'Não fale de Madman Across the Water'. Para mim, as performances vocais naquele álbum fedem, no que me diz respeito. Acho que é meu álbum menos favorito. Eu gosto muito das músicas, mas tenho muita dificuldade de ouvir aquele álbum. Não gosto dele nem um pouco", disse Elton em um vídeo.
O disco que ele critica é justamente um dos que mostram bem essa combinação de Elton pop com Elton em território mais roqueiro e dramático. Tem piano em primeiro plano, tem arranjo grande, tem clima de narrativa, tem faixa que cresce como canção épica. Não é um álbum "leve" de rádio apenas, e talvez isso também ajude a explicar por que tanta gente continua defendendo o trabalho mesmo com a autocrítica do autor.
Também pesa o fato de que artista costuma ouvir coisas que o público não ouve. O fã pega a música pronta, a memória afetiva e o impacto da canção. O cantor, quando volta ao disco, às vezes escuta insegurança, tentativa, cansaço, limite técnico, gravação que ele gostaria de refazer. Nesse caso, Elton parece olhar para "Madman Across the Water" por esse ângulo, mais interno, enquanto parte do público enxerga ali um dos registros mais fortes da fase clássica.
Este é um daqueles casos em que a obra ganha vida própria. Elton pode não gostar do resultado vocal e evitar o disco, mas isso não apagou o peso que "Madman Across the Water" teve dentro da discografia dele, inclusive para quem acompanha justamente essa fase em que o artista pop também soava, muitas vezes, como um nome de rock com piano no ataque.
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