As três bandas gigantes de metal que pioraram ao trocar de vocalista, segundo Gastão
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Trocar de vocalista é, historicamente, uma das decisões mais delicadas dentro de uma banda de metal. Às vezes funciona e inaugura uma nova era; em outras, afasta o público e deixa cicatrizes. Para o jornalista Gastão Moreira, há casos em que o erro foi claro - não por deficiência técnica dos cantores que entraram, mas porque simplesmente não combinaram com bandas gigantes que exigiam algo além de afinação.
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Em um de seus vídeos mais comentados, Gastão deixou claro desde o início que sua análise não partia de fanatismo. "Não é crítica gratuita", explicou, ressaltando que se baseava na reação do público, na experiência ao vivo e no peso histórico das bandas envolvidas. A seguir, ele elencou três exemplos emblemáticos de substituições que, em sua visão, deram errado.
O primeiro caso citado foi o de Gary Cherone no Van Halen. Para Gastão, a banda já havia passado por duas fases extremamente bem-sucedidas: a era festiva e carismática de David Lee Roth e, depois, o período mais sério e técnico com Sammy Hagar, que garantiu longevidade e sucesso comercial.
Quando Hagar saiu, a escolha de Cherone - vindo do Extreme - parecia interessante no papel. "Ele é afinado, competente, gente boa, vai bem no palco", reconheceu Gastão. O problema, segundo ele, foi o encaixe. O álbum Van Halen III (1998) acabou se tornando o menos bem-sucedido da carreira do grupo. "Não funcionou comercialmente", resumiu. Para o jornalista, Cherone foi "jogado na fogueira", entrou direto para gravar um disco sem turnê prévia e acabou não combinando com o DNA da banda, apesar de não ter feito "papelão".
O segundo exemplo veio de um território ainda mais sensível: o Black Sabbath. Após nomes históricos como Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, a entrada de Tony Martin dividiu fãs - e, para Gastão, representou uma queda clara de patamar.
Ele relembrou ter assistido a um show da banda em 1989, no Hammersmith, com Tony Iommi, Cozy Powell e Neil Murray. A conclusão foi direta: "Tony Martin desapareceu". Apesar de afinado, Gastão apontou falta de potência vocal, presença de palco fraca e uma tentativa frustrada de emular Dio. "A distância é gigante", afirmou, ao comparar os discos.
Para ele, os álbuns dessa fase até têm bons riffs e execução impecável, mas estão entre os mais fracos e menos bem-sucedidos da carreira do Sabbath. "Era pouco para um Black Sabbath da vida", resumiu, defendendo que Martin poderia ter funcionado melhor em uma banda de segundo escalão.
O terceiro e mais polêmico caso citado foi o de Blaze Bayley no Iron Maiden. Gastão fez questão de contextualizar: elogiou Paul Di'Anno pela agressividade inicial e destacou o "upgrade gigantesco" que a banda teve com Bruce Dickinson.
Quando Dickinson saiu, a escolha de Blaze, vindo do Wolfsbane, foi vista como um erro estratégico. "Não estava à altura do Iron Maiden", cravou. Segundo Gastão, o timbre era fraco, a performance vocal limitada e a presença de palco insuficiente para uma banda daquele porte. Ele lembrou que Blaze tinha dificuldades para cantar músicas da era Bruce ao vivo e que a rejeição do público foi evidente, inclusive com registros de vaias e objetos arremessados nos shows dos anos 1990.
Para o jornalista, discos como The X Factor ainda têm bons momentos por mérito da banda, mas Virtual XI é "o pior álbum da história do Iron Maiden". Ele também apontou teimosia de Steve Harris ao insistir em Blaze, até o retorno de Dickinson ser viabilizado - momento em que o vocalista foi dispensado imediatamente.
Ao concluir, Gastão reforçou que sua análise se baseia em comparação histórica. "Você tem referências muito altas", explicou, lembrando que Cherone sucedeu Roth e Hagar, Tony Martin veio após Ozzy e Dio, e Blaze entrou no lugar de Di'Anno e Dickinson. Para ele, isso deixa claro por que essas escolhas foram equivocadas: os discos não tiveram grande sucesso comercial e foram rejeitados por boa parte dos fãs antigos.
Confira o vídeo completo abaixo.
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