Por que Max Cavalera andar de limousine e Sepultura de van não incomodou Andreas Kisser
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de fevereiro de 2026
O episódio que simbolizou o racha interno do Sepultura nos anos 1990 segue rendendo interpretações, revisões e novos detalhes quase três décadas depois. Entre vans, limousines e contratos mal resolvidos, a separação entre Max Cavalera e o restante da banda continua sendo tema recorrente em entrevistas e podcasts dedicados à história do metal pesado.
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Em entrevista recente ao 100 Segredo Podcast, o guitarrista Andreas Kisser voltou a comentar um dos episódios mais citados daquele período: o fato de Max Cavalera chegar de limousine aos shows enquanto os demais integrantes se deslocavam em vans. Segundo Andreas, ao contrário do que muitos imaginam, a situação em si nunca foi o verdadeiro problema.
"Essa coisa da limousine, pra quem mora em Phoenix e conhece, é a coisa mais barata do mundo", explicou Kisser. "A gente pegava limousine pra tomar cerveja, pra dar rolê, pra ir pro deserto. Não era nada desse glamour todo que no Brasil se imagina." O guitarrista afirmou que, naquele contexto específico, o transporte não representava um símbolo claro de ostentação ou privilégio.
Ainda assim, Andreas reconheceu que existia uma diferença de postura. "O Max e a Glória sempre gostaram mais dessa coisa do glamour do rock and roll, hotéis, room service, essas coisas", disse, ao citar Gloria Cavalera, então empresária da banda e esposa de Max. Para ele, o incômodo não estava no carro em si, mas no que passou a se desenhar depois.
Segundo o guitarrista, a separação começou a se materializar quando a gestão da banda deixou de ser coletiva. "A Glória já não representava mais a banda, ela representava só o Max e os interesses dele", afirmou. "Depois veio o ônibus só dele, o camarim só dele. Era uma coisa que separava: os três de um lado e o Max do outro."
Kisser também destacou que cada integrante viveu aquele momento de forma diferente. "O meu ponto de vista é o meu ponto de vista. O Igor tem o dele, o Paulo tem outro. Essa discussão de quem tá certo ou errado não leva a lugar nenhum", ponderou. Para ele, o rompimento foi resultado de decisões acumuladas, não de um único gesto isolado.
O guitarrista relembrou ainda que a saída de Max coincidiu com o fim do contrato de gerenciamento. "O contrato acabou em 16 de dezembro de 1996, exatamente no dia do último show que fizemos juntos, no Brixton Academy, em Londres", contou. Após a apresentação, houve uma reunião para discutir o futuro da banda - da qual Max não participou.
Confira a entrevista completa abaixo.
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