"Tá de brincation with me?": Joe Bonamassa detona quem critica B.B. King
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Críticas ao legado de B.B. King não são novidade, mas uma em especial segue incomodando Joe Bonamassa: a ideia de que o ícone do blues "não tocava muito guitarra". Em entrevista recente à revista Classic Rock, o guitarrista norte-americano reagiu de forma direta - e nada paciente - a esse tipo de comentário.
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Para Bonamassa, a acusação ignora justamente o que tornava B.B. King único. "Quando as pessoas dizem: 'Ah, o B.B. King não toca muito guitarra', é tipo: 'Você só pode estar de brincadeira?'", disparou (via Ultimate Guitar). Segundo ele, poucos músicos na história alcançaram um nível tão alto de identidade sonora. "Ele é um dos únicos guitarristas que você reconhece com uma nota", afirmou.
O guitarrista destacou que o estilo de B.B. King ia muito além da simplicidade aparente. "Se você ouvir com atenção, ele tinha muito jazz nele. Tinha Wes Montgomery, tinha Charlie Christian, mas também T-Bone Walker", explicou. Ainda assim, Bonamassa ressalta que, a partir dos anos 1960, o bluesman desenvolveu uma linguagem absolutamente própria.
"O fraseado e a abordagem dele eram totalmente únicos. E, acima de tudo, ele dominava o tempo", disse. "Ele nunca tinha pressa. E uma das coisas mais subestimadas do jeito do B.B. tocar é que todo solo contava uma história." Para Bonamassa, esse senso narrativo é algo que muitos guitarristas técnicos jamais conseguiram alcançar.
Joe Bonamassa e B.B. King
A ligação entre os dois vai além da admiração artística. B.B. King foi o primeiro grande nome a levar Joe Bonamassa ao palco, quando o garoto tinha apenas 12 anos. O encontro aconteceu em 1989, dando início a uma relação que o próprio Bonamassa já descreveu como uma "amizade orgânica" que durou mais de duas décadas.
"Quando eu conheci o B.B., não tinha noção da dimensão daquilo", relembrou. "Quando você tem 12 anos, você não entende esse peso todo. Mas ele era uma figura maior que a vida." Ao longo de cerca de 25 anos de convivência, Bonamassa diz ter aprendido lições que vão muito além da música.
"Ele me ensinou a forma certa de fazer turnê, o que é profissionalismo", contou. "A banda estava sempre impecavelmente vestida, pontual, respeitosa. Se você consegue viver assim, não tem com o que se preocupar." Para Bonamassa, esse padrão de conduta ajudou a moldar não só sua carreira, mas sua visão sobre o papel do músico.
Em outra entrevista, desta vez ao Ultimate Guitar, Bonamassa voltou ao tema ao questionar o próprio conceito de virtuosismo. "Virtuosidade vem de muitas formas", afirmou. "O B.B. King é provavelmente o maior exemplo de guitarrista reconhecível com uma única nota." Segundo ele, o gênio de B.B. nunca esteve ligado a exibições técnicas, embora nos primeiros discos dos anos 1950 ele fosse "enganosamente rápido".
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