"Vocês são idiotas?"; o que Neil Peart acharia da escolha de Anike Nilles para integrar o Rush
Por Bruce William
Postado em 31 de março de 2026
Geddy Lee falou com mais detalhes sobre a entrada de Anika Nilles na nova formação de turnê do Rush durante e deixou uma frase que, por si só, já explica o tamanho do peso envolvido. Ao comentar durante conferência de imprensa em Toronto (via Blabbermouth) o que Neil Peart pensaria disso tudo, o baixista respondeu: "Neil é insubstituível. E, se ele tivesse algo a nos dizer agora, provavelmente diria: 'Vocês são idiotas.'" A fala veio em tom de humor, claro, mas Geddy logo completou a ideia dizendo que acredita que o antigo parceiro aprovaria a escolha e teria até "um meio sorriso no rosto" ao ver quem foi chamada para assumir a bateria.

A reaparição do Rush aconteceu no último domingo, 29 de março, durante o Juno Awards, em Hamilton, no Canadá, com uma performance de "Finding My Way", faixa do disco de estreia da banda. O show também serviu como apresentação oficial de Anika Nilles ao público do grupo. Neil Peart morreu em 2020, e qualquer conversa sobre alguém sentado naquele banco inevitavelmente passa pela noção de que não existe substituição real possível. Geddy não tentou dourar isso. Preferiu reconhecer o óbvio e, a partir daí, explicar por que Anika foi a escolhida.
Segundo ele, o Rush vem ensaiando com a baterista alemã "com idas e vindas" há cerca de um ano. Nesse período, a relação foi ficando cada vez mais natural. "Agora está muito confortável, e ela está mostrando a personalidade dela, o que é legal de ver, porque ela é uma pessoa fantástica, adorável, fácil de trabalhar e profundamente talentosa. Então nós nos consideramos muito sortudos, porque ela foi realmente a única baterista com quem tentamos trabalhar, e ela foi perfeita para nós. E ainda nos empolga também. Ela é um bônus."
A escolha não veio do nada. Geddy contou que o nome de Anika chegou até ele por meio de seu técnico de baixo, que havia trabalhado com Jeff Beck e voltou impressionado com a baterista. A partir daí, tanto ele quanto Alex Lifeson foram atrás de vídeos e gravações para entender melhor com quem estavam lidando. Depois disso, veio uma chamada por Zoom e, mais tarde, o convite para que Anika fosse discretamente ao Canadá tocar algumas músicas do Rush com os dois. Geddy resumiu o processo de forma simples: "No fim de cinco dias, mais ou menos, nós tínhamos uma baterista."
Ele também fez questão de reconhecer o tamanho da missão, pois não se trata apenas de tocar músicas difíceis, mas de entrar num catálogo em que técnica, memória afetiva e idolatria do público se misturam o tempo todo. "É muita coisa para a Anika assumir. Mesmo quando estamos enferrujados em algumas músicas, elas estão guardadas em algum sulco do cérebro, e voltam. Mas ela está começando do zero. E ela está começando do zero diante da missão de assumir um posto que, na prática, é impossível substituir."
Do lado de Anika, a abordagem parece ter sido menos a de "copiar Neil" e mais a de entender o espírito da coisa. Em entrevista à Classic Rock, ela contou que, nos primeiros ensaios, a conversa passou bastante pela visão de Neil sobre música e bateria, e principalmente pela sensação das canções. "O ponto mais importante é simplesmente capturar o sentimento - que pareça certo para os dois voltarem a tocar essa música, e que, no fim, também pareça certo para os fãs."
A fala de Geddy sobre os "idiotas" acaba funcionando quase como uma forma torta de respeito. Ele sabe que a ideia de seguir em frente com o nome Rush, sem Neil Peart, sempre vai soar delicada para uma parte do público. Mas também deixa claro que a música não desapareceu com a tragédia. "A música vive além da tragédia, além de qualquer coisa que possa acontecer na sua vida", disse ele. E talvez seja justamente esse o ponto central desta nova fase: ninguém ali está fingindo que Neil pode ser substituído. O que estão tentando fazer é outra coisa: tocar de novo, com alguém que acendeu a chama certa.
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