Ricardo Confessori quebra senso comum e diz que clima no Angra no "Fireworks" era bom
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de abril de 2026
A fase de "Fireworks" costuma ser lembrada por muitos fãs como o momento em que o Angra já estava irremediavelmente rachado por dentro. A narrativa mais repetida é a de uma banda em clima insustentável, já sem diálogo e apenas esperando o fim da turnê para cada um seguir seu caminho. Em entrevista ao Ibagenscast, porém, Ricardo Confessori apresentou uma leitura diferente daquele período e contestou esse senso comum.

Segundo o baterista, o grupo até vivia um contexto de desgaste e indefinição, mas isso não significava que os integrantes estivessem brigados o tempo todo durante a turnê. Ao ser confrontado com a ideia de que o Angra já estava "meio rachado" na época, ele respondeu: "É, mas assim, a gente se falava de boa, cara. A gente não tava brigado assim". Para Confessori, o clima era mais de incerteza sobre o futuro do que de guerra aberta nos bastidores.
O músico explicou que, naquele momento, a postura dos integrantes era quase pragmática. "Eu lembro que a gente meio falou assim: 'Ah, cara, vamos fazendo essas turnês aí, vamos vendo no que dá, né?'", recordou. Ou seja, havia um entendimento de que a prioridade era cumprir a agenda e observar como as coisas se desenvolveriam adiante. A crise, segundo ele, se agravava quando começavam a surgir conversas sobre um próximo disco, antes mesmo de questões anteriores terem sido resolvidas.
Angra e brigas no "Fireworks"
Confessori situou esse incômodo principalmente no campo empresarial. De acordo com seu relato, ainda no meio da turnê já apareciam propostas envolvendo produtores e possíveis planos para o álbum seguinte. Foi aí que, segundo ele, surgiu a sensação de que estavam empurrando decisões importantes sem antes arrumar a casa. "A gente não concordou em fazer outro disco, concordou em fazer essa turnê", afirmou. Em outro trecho, resumiu a irritação: "Parecia que o cara tava fim de rindo demência, né? Que não escutou o que a gente falou".
A fala dele também ajuda a separar duas coisas que, com o tempo, acabaram misturadas na memória dos fãs: o problema de gestão e o convívio entre os músicos no palco e na estrada. Para Confessori, a tensão não contaminava tudo o tempo inteiro. "Durante a turnê não tava esse clima. A gente falou assim: 'Velho, vamos tocar, vamos ser feliz'", disse. E reforçou: "Não foi tão ruim o clima assim, entendeu? Não tava tão ruim o clima assim".
Essa explicação surgiu justamente porque o entrevistador disse que a impressão geral sempre foi outra: a de que a excursão de "Fireworks" já transcorria num ambiente péssimo e que, depois dela, simplesmente não houve mais conversa. Confessori corrigiu essa leitura e indicou que, sim, existiu discussão sobre continuidade, só que de forma atravessada pelo empresariamento e pela falta de resolução de pendências antigas. Entre elas, ele citou dificuldades envolvendo documentos, contratos e a relação com parceiros de mercado, o que teria travado movimentos importantes da banda naquele momento.
Para explicar por que essas conversas não podiam dominar o cotidiano da estrada, o baterista recorreu até a uma comparação forte. Segundo ele, não dava para discutir ruptura em qualquer hora, porque havia show para fazer e um compromisso artístico a cumprir. "Você tem que tá concentrado no show, no que você tá fazendo ali", afirmou. A ideia, em seu relato, é que havia um pacto tácito: tocar bem primeiro, deixar as decisões mais duras para depois.
No fim, o que Ricardo Confessori faz é relativizar uma versão cristalizada da história do Angra. Ele não nega que existissem problemas sérios na época de "Fireworks". Mas insiste que o retrato de uma banda permanentemente em guerra não corresponde totalmente ao que viveu. Havia desgaste, havia impasse e havia desconfiança sobre o rumo seguinte. Só que, no palco e no contato direto entre eles, o clima, segundo o próprio baterista, ainda permitia algo essencial: "A gente se falava de boa".
Confira a entrevista completa abaixo.
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