A banda que Jack Black diz que destruiu o rock por ser grande demais
Por Bruce William
Postado em 19 de maio de 2026
Jack Black não fala sobre rock como comentarista distante. Antes de virar um rosto conhecido no cinema, e mesmo depois disso, ele sempre carregou esse lado de fã barulhento, exagerado e sincero. O Tenacious D nasceu justamente desse amor meio teatral pelo gênero, misturando piada, devoção e riffs como se a história do rock fosse ao mesmo tempo sagrada e ridícula. Por isso, quando ele diz que o Nirvana foi a última grande banda de rock, não parece frase jogada ao vento.
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A ideia dele é simples e pesada: antes do Nirvana, havia várias bandas capazes de rivalizar com Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl em impacto histórico. Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones, The Who, Black Sabbath, cada uma em seu território. Depois do Nirvana, segundo Jack Black, ninguém conseguiu ocupar o mesmo lugar. "Eu realmente sinto que o Nirvana foi a última grande banda de rock. Há muitas grandes bandas de rock para rivalizar com o Nirvana antes do Nirvana, mas não há ninguém depois que possa rivalizar com o Nirvana", afirmou ele à AZ Central, em fala recuperada pela Far Out.
O ponto mais interessante vem na sequência. Black não disse apenas que o Nirvana foi enorme; disse que a banda "destruiu o rock" de certo modo. "Acho que o Nirvana foi a última grande banda, e de certa forma eles destruíram o rock porque eram os maiores, e também eram uma força poderosamente destrutiva para aquele gênero."
A frase pode soar exagerada, mas combina com o efeito que "Nevermind" teve em 1991. Não foi só um disco vendendo muito. Foi uma mudança de clima. Antes daquele estouro, boa parte do rock de grande circulação ainda vinha do hard rock colorido dos anos 80, do metal de cabelo armado, dos videoclipes caros e daquela ideia de estrela intocável. O Nirvana entrou pela porta dos fundos, com roupa comum, guitarra suja, refrão enorme e uma sensação de desconforto que parecia mais honesta para muita gente jovem. "Smells Like Teen Spirit" não parecia apenas uma música nova na MTV. Parecia uma rachadura no cenário.
Essa força também virou problema para quem veio depois. O sucesso do Nirvana abriu espaço para bandas alternativas, mas criou uma sombra difícil de atravessar. Algumas tentaram copiar a estética de Cobain até virar caricatura. Outras fugiram para caminhos diferentes. O rock mainstream dos anos seguintes ficou fragmentado, e talvez seja por isso que a fala de Jack Black faça sentido mesmo para quem não concorda totalmente com ela. Houve bandas grandes depois, claro. Mas poucas mudaram a conversa inteira.
O próprio Nirvana tinha algo difícil de repetir porque juntava elementos contraditórios. Era barulhento, mas tinha melodia. Era agressivo, mas vulnerável. Tinha humor ácido, mas também um fundo de dor real. Em palco, podia parecer que tudo ia desabar a qualquer momento. Em disco, havia canções como "Come As You Are" e "Something in the Way", que pareciam sair da cabeça de alguém em um quarto fechado, não de uma banda tentando dominar o mundo. A destruição citada por Black talvez venha daí: o Nirvana fez muita coisa anterior parecer artificial demais.
Também há um componente trágico nessa mitologia. A morte de Kurt Cobain em 1994 congelou a banda em um ponto impossível de envelhecer naturalmente. O Nirvana não teve fase constrangedora, reunião morna, disco burocrático ou turnê de nostalgia com iluminação cara. Ficou como explosão curta, violenta e interrompida. Isso ajuda a alimentar a ideia de "última grande banda", porque a história terminou antes que a realidade pudesse desgastar o mito.
Jack Black pode estar sendo dramático, mas não está sozinho na percepção de que o Nirvana foi a última banda de rock a se tornar um divisor de águas cultural desse tamanho. Depois deles, o rock continuou existindo, produzindo discos ótimos, shows lotados e artistas importantes. Mas aquela sensação de uma banda derrubar a parede principal da música popular e obrigar todo mundo a reorganizar a sala ficou muito mais rara. O Nirvana fez isso. E talvez seja esse o sentido de ter "destruído" o rock: depois de Cobain, qualquer um que pegasse uma guitarra teria que lidar com os escombros.
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