11 supergrupos prog de qualidade que muita gente certamente nunca ouviu falar
Por Bruce William
Postado em 19 de maio de 2026
O rock progressivo sempre teve uma queda natural pelos supergrupos. Isso faz sentido dentro do próprio estilo: músicos acostumados a composições longas, arranjos detalhados e liberdade instrumental acabam cruzando caminhos em turnês, projetos paralelos e discos de outros artistas. Emerson, Lake & Palmer talvez seja o exemplo clássico dessa tradição, juntando Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer em 1970. Depois vieram nomes como Asia, U.K., Transatlantic e, já em terreno mais próximo do prog metal, Liquid Tension Experiment e Sons of Apollo.
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Mas existe uma camada menos óbvia dessa história. A Loudwire reuniu 11 supergrupos progressivos que não ficaram tão conhecidos fora dos círculos mais atentos do estilo, embora tenham reunido músicos de bandas importantes. A lista passa por projetos com integrantes ou ex-integrantes de The Flower Kings, Pain of Salvation, Dream Theater, Porcupine Tree, Marillion, King's X, Dixie Dregs, Steve Hackett Band, Soft Machine, Caravan e outros nomes que dizem bastante para quem acompanha o gênero mais de perto.
Um dos casos mais interessantes é o The Sea Within, projeto formado por Roine Stolt, Daniel Gildenlöw, Jonas Reingold, Tom Brislin e Marco Minnemann. O grupo lançou apenas um álbum, em 2018, misturando prog, art rock, pop e elementos mais cinematográficos. O disco ainda teve convidados como Jon Anderson, ex-Yes, e Jordan Rudess, do Dream Theater, o que reforça aquela sensação de encontro entre várias pontas do progressivo moderno.
A lista também lembra projetos mais acessíveis, como Flying Colors e Kino. O Flying Colors reuniu Steve Morse, Dave LaRue, Neal Morse, Mike Portnoy e Casey McPherson, criando uma mistura de rock progressivo, hard rock, pop e melodias mais diretas. Já o Kino juntou John Mitchell, Pete Trewavas, John Beck e Chris Maitland no álbum Picture, de 2005, e depois voltou com "Radio Voltaire", em 2018, já com Craig Blundell na bateria. São projetos que não exigem do ouvinte uma carteirinha vitalícia de prog para entrar na brincadeira.
Em outro extremo aparecem nomes bem menos amigáveis para quem gosta de refrão rápido. O PinioL, fusão das bandas francesas PoiL e ni, trabalha em um território mais experimental, ligado ao Rock in Opposition, com dois bateristas, dois baixistas, dois guitarristas e uma sonoridade fragmentada, dissonante e pouco preocupada em facilitar a vida do ouvinte. Já o Matching Mole, criado por Robert Wyatt depois do Soft Machine, representa aquele lado mais estranho da cena de Canterbury, com humor torto, improvisos e colagens sonoras que não tentam soar "bonitas" no sentido convencional.
Também há projetos que funcionam quase como pontes entre décadas diferentes do progressivo. O Go, liderado por Stomu Yamash'ta, reuniu nomes como Michael Shrieve, do Santana, Steve Winwood, do Traffic, e Al Di Meola, ligado ao Return to Forever, em uma mistura de prog, fusion, percussão japonesa e música mais cinematográfica. Já o Cyan, em sua encarnação mais recente, trouxe Robert Reed ao lado de nomes como Luke Machin, Peter Jones, Angharad Brinn e Dan Nelson, retomando uma veia mais sinfônica e pastoral, próxima do espírito de Genesis, Yes e Renaissance, mas com produção moderna.
A presença de Marco Minnemann e Nick Beggs aparece em mais de um canto da lista, o que diz bastante sobre como a cena prog atual funciona. Minnemann está no The Sea Within e também em McStine & Minnemann, parceria com Randy McStine que mistura hard rock, art pop, post-punk e prog em músicas mais compactas. Beggs, que começou em outro universo com o Kajagoogoo, surge em The Mute Gods e Trifecta, dois projetos que mostram como o progressivo também pode dialogar com humor ácido, jazz rock, crítica social e formatos menos previsíveis.
Fechando a lista, o The Jelly Jam talvez seja um dos nomes mais curiosos para fãs de Dream Theater, porque traz John Myung longe do ambiente mais metálico de sua banda principal. Ao lado de Ty Tabor, do King's X, e Rod Morgenstein, do Dixie Dregs e Winger, ele aparece em um trio que mistura hard rock, psicodelia e prog sem cair necessariamente no peso mais técnico associado ao Dream Theater.
Esses 11 projetos mostram uma coisa simples: no progressivo, a árvore genealógica nunca termina. Você puxa um nome, aparece outro; puxa uma banda, surgem três projetos paralelos. E quando percebe, já está ouvindo um disco de 2018 com meia dúzia de veteranos fazendo música como se ainda estivessem testando os limites da sala de ensaio.
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