Joe Lynn Turner conta como foi se livrar da peruca aos 70 anos
Por João Renato Alves
Postado em 19 de maio de 2026
Joe Lynn Turner foi diagnosticado com alopecia – termo médico para qualquer condição que causa perda anormal de cabelo ou pelos em qualquer parte do corpo – aos 14 anos de idade. Desde então, conviveu com uma peruca até recentemente, quando decidiu aposentar a prática.
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Durante entrevista ao Cassius Morris, o vocalista falou sobre como tem vivido a experiência de se mostrar ao mundo dentro de sua realidade visual. "Tirei a peruca porque todo mundo sabia que eu estava usando. 90% desses caras, os veteranos, pelo menos. Não vou citar nomes porque não tenho nada contra ninguém e isso é uma questão pessoal."
O cantor reconheceu que o motivo de usar a peruca tinha a ver com o meio onde seguiu carreira. "Queria me encaixar no estilo rock 'n' roll. Todo mundo tinha cabelo comprido até algumas décadas. Só nos últimos anos começaram a lançar um visual mais brutal, que combinava perfeitamente com meu álbum mais recente, 'Belly of the Beast'. Então eu disse: 'É hora de ser sincero comigo mesmo e com todos.'"
Sobre como se sentiu após revelar seu novo visual, Joe disse: "O que eu fiz me libertou, me abriu completamente. Era uma desvantagem psicológica de certa forma, porque você é alvo de piadas a vida toda, na escola, todo esse tipo de coisa. Crianças são cruéis. Então você cresce e tenta sair dessa sombra, faz um pouco de trabalho junguiano com a sombra e tenta se libertar de tudo isso. Mas é muito difícil, porque está profundamente enraizado em suas emoções. Agora quebrei essa barreira, a atravessei e simplesmente pensei: 'Cara, isso é como renascer'. Foi realmente a sensação que tive. 'Aqui estou eu. Sou uma pessoa completamente nova'. E e essa foi uma declaração incrível da minha assistente, tenho que lhe dar crédito. Ela estava com lágrimas nos olhos quando me disse: 'Viu, Joe? Eles te amam ainda mais. Te chamam de corajoso, destemido, inovador, icônico, Faraó.' O mundo realmente acolhe quando você é você mesmo."
Questionado se ficou surpreso, Joe admitiu que tinha muito receio. "Vivia pisando em ovos, não tinha ideia de qual seria a reação. Achava que provavelmente receberia mais críticas do que qualquer outra coisa. Mas não, os fãs adoraram. Todo mundo dizia: 'Você está com uma aparência melhor, cara. Está estiloso.' Fiquei simplesmente impressionado. Foi uma lição. Ser você mesmo é a melhor coisa que se pode fazer neste mundo. Abri-me completamente e fui eu mesmo por inteiro - fisicamente, na minha escrita, espiritualmente, simplesmente expondo tudo - isso me mostrou que esse é o caminho. Essa é a verdadeira liberdade, a interior, que você pode ter. No mundo escravizante em que vivemos, num planeta-prisão em que vivemos, a única liberdade que você tem é a sua própria, intrínseca. É libertador. Tento dizer isso às pessoas porque quero que façam o mesmo. Minha filha, meu filho, eu digo a eles: 'Sejam vocês mesmos, não importa o que digam.'"
Nascido em Hackensack, Nova Jersey, Estados Unidos, Joseph Arthur Mark Linquito despontou na banda Fandango, chamando a atenção de Ritchie Blackmore que o contratou para o Rainbow. Gravou três álbuns de estúdio que, apesar de contestados, obtiveram sucesso comercial moderado.
Em 1987 entrou na banda do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, registrando o disco de estúdio "Odyssey" e o ao vivo "Trial By Fire". Saiu após desentendimentos quanto a créditos nas composições. Reencontrou-se com Blackmore ao assumir os vocais do Deep Purple. Cantou em "Slaves and Masters", fez a turnê (que incluiu a primeira passagem da banda pelo Brasil) e se retirou para a volta de Ian Gillan.
Possui 11 álbuns solo, sendo dois de regravações. Também participou de projetos como Sunstorm, Hughes Turner Project e Rated X, entre outros. Em anos recentes passou a morar no leste europeu. Foi nomeado Embaixador Cultural da Bulgária em 2015.
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