A música do Led com instrumental tão forte que Robert Plant acha que nem deveria ter cantado
Por Bruce William
Postado em 20 de abril de 2026
Robert Plant ajudou a definir uma imagem muito específica de vocalista de rock: agudo, presença física, gritos longos e aquela sensação de que a voz estava disputando espaço com a guitarra de Jimmy Page. Só que ele mesmo nunca pareceu muito interessado em ficar preso apenas a essa caricatura. Com o tempo, Plant passou a olhar para algumas gravações do Led Zeppelin com uma distância maior, inclusive questionando momentos em que sua voz talvez tenha entrado onde não precisava.
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Esse tipo de comentário chama atenção justamente porque estamos falando de uma das vozes mais reconhecíveis do rock. Em boa parte do catálogo do Led Zeppelin, a entrada de Plant é parte essencial da identidade da música. Mesmo assim, ele já admitiu que havia ocasiões em que a banda criava uma base tão forte que o vocal podia soar quase como excesso, e não como necessidade.
O caso citado por ele e resgatado pela Far Out envolve "Sick Again", faixa que encerra "Physical Graffiti", álbum duplo lançado pelo Led Zeppelin em 1975. O disco reunia material gravado em períodos diferentes e mostrava a banda em várias frentes ao mesmo tempo: rock pesado, blues, folk, funk, passagens mais experimentais e músicas longas, como "Kashmir" e "Ten Years Gone".
Dentro desse conjunto, "Sick Again" aparece como uma espécie de retrato da vida na estrada, com referências ao ambiente de turnês, garotas jovens em volta da banda e aquela rotina excessiva que cercava grandes grupos de rock nos anos 70. Plant, no entanto, não parecia muito convencido de que precisava estar ali cantando por cima da faixa.
Ao comentar a música, ele afirmou: "'Sick Again' era tão boa que não precisava de vocal. Deveria ter sido apenas a faixa instrumental. Ela refletia onde estava minha cabeça? Foi uma olhada rápida. Eu estava olhando pela janela: 'Da janela de uma limusine alugada'. Eu não estava nem aí. Mas a faixa ainda tinha seu próprio impulso, de verdade, porque todo mundo queria estar em cada ato."
A afirmação mostra um Plant menos preocupado em defender cada escolha do Led Zeppelin como se tudo tivesse sido perfeito. Para ele, a força da banda na gravação já bastava. A faixa tinha movimento próprio, com Page, John Paul Jones e John Bonham empurrando o som para frente, e talvez a voz tenha entrado mais por uma lógica de banda completa do que por uma necessidade musical absoluta.
Esse comentário também ajuda a entender algo curioso sobre o Led Zeppelin: mesmo sendo uma banda associada ao excesso, seus integrantes muitas vezes sabiam quando uma ideia já estava funcionando sem precisar de muita explicação. Plant podia ser um cantor expansivo, mas não era surdo ao que acontecia ao redor. Quando ele diz que "Sick Again" talvez funcionasse melhor como instrumental, está reconhecendo que o peso da banda, naquele momento, já contava boa parte da história.
O próprio "Physical Graffiti" favorecia esse tipo de excesso. Como álbum duplo, ele abria espaço para sobras, variações e caminhos que talvez não coubessem em um disco simples. Ainda assim, o resultado acabou virando um dos trabalhos mais conhecidos do Led Zeppelin justamente por reunir essas várias faces sem tentar deixá-las perfeitamente alinhadas. Há momentos grandiosos, outros mais crus, e "Sick Again" entra nessa parte mais suja e direta do repertório.
Por outro lado, mesmo com a ressalva de Plant, é difícil imaginar "Physical Graffiti" terminando de outro jeito. "Sick Again" fecha o álbum com barulho, energia e uma certa cara de ressaca moral da estrada. Talvez como instrumental ela realmente funcionasse. Mas com Plant cantando, a faixa ganha também o registro de alguém que estava dentro daquela engrenagem, mesmo quando parecia olhar pela janela da limusine sem muita paciência para romantizar a cena.
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