O maior álbum do Led Zeppelin para Jimmy Page e Robert Plant
Por Bruce William
Postado em 23 de abril de 2026
Escolher o maior álbum do Led Zeppelin é uma daquelas discussões que dificilmente terminam em acordo. Há quem fique com o quarto disco, muito por causa de "Stairway to Heaven", "Black Dog" e "When the Levee Breaks". Outros preferem a estreia, pelo impacto bruto de uma banda que já parecia pronta no primeiro passo. Mas, para Jimmy Page e Robert Plant, o ponto em que o Led Zeppelin mostrou melhor o que podia fazer veio em 1975, com "Physical Graffiti."
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O álbum duplo reuniu músicas de sessões diferentes e acabou funcionando como uma espécie de mapa completo da banda. Havia blues pesado, rock direto, passagens acústicas, experimentos, músicas longas e faixas que não pareciam muito preocupadas em caber dentro de um estilo específico. Era o Led Zeppelin com espaço suficiente para mostrar várias faces sem precisar escolher apenas uma.
Conforme apurou a Far Out, Jimmy Page falou sobre o disco como um momento em que a banda atingiu uma sintonia especial. Para ele, Physical Graffiti registrava quatro músicos no ponto certo de comunicação, tocando juntos em um ambiente favorável. "'Physical Graffiti' são mestres músicos em ponto de comunhão. Basta ouvir o que podíamos fazer, tocando juntos no ambiente certo. Bum! Que tal?", disse o guitarrista.
A frase tem o entusiasmo típico de Page quando fala do Led Zeppelin, mas combina com o tamanho do álbum. "In My Time of Dying", por exemplo, leva o blues para uma dimensão pesada e arrastada, enquanto "Ten Years Gone" trabalha com camadas de guitarra e uma construção mais melancólica. Em outro canto, "Trampled Under Foot" mostra a banda flertando com o funk, e "The Rover" mantém aquela força mais direta do hard rock setentista.
Robert Plant também enxerga "Physical Graffiti" como um retrato especial do grupo, embora sua lembrança passe muito por "Kashmir". A música, construída a partir de uma ideia de Page e Bonham e ligada às viagens e imagens que Plant carregava na época, virou uma das composições mais associadas ao lado grandioso do Led Zeppelin. Para o vocalista, ela representava melhor a essência da banda do que o clássico mais inevitável do repertório.
"Eu gostaria que fôssemos lembrados por 'Kashmir' mais do que por 'Stairway to Heaven'. É tão certa; não há nada exagerado, nenhuma histeria vocal. Zeppelin perfeito. Era tão positiva, liricamente. É a busca, as viagens e explorações que Page e eu fizemos longe do caminho batido... Aquilo, de verdade, para mim, é a sensação Zeppelin", afirmou Plant.
A comparação com "Stairway to Heaven" também diz bastante. Plant teve uma relação complicada com essa música ao longo dos anos, talvez por ela ter se tornado grande demais dentro da própria história do Led Zeppelin. Já "Kashmir" parecia carregar a escala épica da banda sem depender do mesmo tipo de solenidade. Ela tinha peso, repetição, atmosfera e uma letra mais aberta, sem que Plant precisasse soar como se estivesse tentando vencer a própria lenda.
"Physical Graffiti" não é apenas um disco grande no tamanho. Ele mostra uma banda que já tinha passado pela explosão inicial, pelo domínio dos palcos e pela pressão de superar os próprios clássicos. Page via ali a comunhão dos músicos; Plant encontrava em "Kashmir" aquilo que chamava de "sensação Zeppelin". No meio das duas leituras, fica um álbum que talvez não seja o mais imediato da banda, mas reúne boa parte do que fazia o Led Zeppelin parecer maior que a soma de quatro sujeitos trancados em uma sala com amplificadores ligados.
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