Com Rodolfo Abrantes, Rodox anuncia retorno após 22 anos e reacende legado do hardcore nacional
Por Sérgio Dall'Alba
Postado em 23 de abril de 2026
Após mais de duas décadas longe dos palcos, o Rodox está oficialmente de volta e com um elemento que transforma o reencontro em um dos mais simbólicos do rock brasileiro: a presença de Rodolfo Abrantes.
A reunião foi confirmada pela própria banda e ganhou repercussão nacional após participação no programa The Noite com Danilo Gentili (no dia 20 de abril), onde os integrantes falaram sobre a retomada, o reencontro com o público e os planos para essa nova fase.
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Formado no início dos anos 2000, logo após a saída de Rodolfo do Raimundos, o Rodox teve uma trajetória curta, porém marcante. O álbum Estreito (2002) consolidou o grupo como uma das propostas mais intensas do hardcore nacional, com sonoridade pesada, influências do metal e letras de forte cunho espiritual.
O contexto: o hardcore brasileiro nos anos 2000
Para entender o impacto do Rodox ontem e agora é preciso olhar para o cenário em que a banda surgiu. O início dos anos 2000 foi um período de transição no rock brasileiro. Após o auge do mainstream nos anos 1990, o gênero começou a se fragmentar, abrindo espaço para nichos mais específicos, como o hardcore, o punk e o metal alternativo.
Bandas como CPM 22 e Dead Fish ganharam relevância ao canalizar influências do punk californiano e do hardcore melódico, criando uma cena forte, especialmente entre o público jovem.
Ao mesmo tempo, havia espaço para propostas mais pesadas e híbridas, dialogando com o nu metal e o hardcore mais agressivo. É nesse ponto que o Rodox se diferencia: a banda incorporava peso extremo, estética sombria e uma abordagem lírica espiritual, algo pouco comum dentro da cena nacional naquele momento.
Esse contraste fez com que o grupo ocupasse um lugar único: não era exatamente parte do hardcore melódico popular, nem do metal tradicional, mas uma fusão que ampliava os limites do gênero no Brasil.
Os primeiros shows da nova fase
O retorno do Rodox não ficou apenas no anúncio. A banda já realizou apresentações desde a retomada, com repertório focado nos clássicos do álbum Estreito, atendendo a uma demanda antiga dos fãs que nunca tiveram a chance de ver o grupo ao vivo na formação original.
Os shows têm sido marcados por forte apelo nostálgico, mas também por uma energia renovada, evidenciada pela performance de Rodolfo e pela recepção intensa do público. Registros divulgados nas redes oficiais mostram casas cheias e participação ativa dos fãs, com destaque para rodas e coros coletivos - elementos típicos da cultura hardcore.
Além disso, as apresentações têm servido como termômetro para os próximos passos da banda. A boa recepção reforça a viabilidade de uma agenda mais ampla de shows e aumenta a expectativa por possíveis lançamentos inéditos.
Retorno com peso histórico
O fim precoce da banda, ainda no auge, ajudou a construir sua aura cult ao longo dos anos. Por isso, o retorno com Rodolfo - figura central na identidade sonora e conceitual do grupo - carrega um peso histórico e emocional significativo.
Durante a entrevista no The Noite, os músicos destacaram que o reencontro vai além da nostalgia. A proposta é revisitar clássicos que marcaram uma geração, mas também abrir espaço para novos projetos, incluindo possíveis composições inéditas.
A volta do Rodox dialoga com um movimento mais amplo de reuniões no rock nacional, mas se diferencia justamente pelo simbolismo: não se trata apenas de reviver uma banda, e sim de reconectar uma história que ficou interrompida no tempo.
Hoje, após consolidar uma carreira na música cristã, Rodolfo retorna ao projeto que ajudou a criar, unindo passado e presente em um momento raro na cena brasileira.
Para os fãs, é a chance de ver ao vivo uma banda que, apesar da breve existência, deixou uma marca profunda. Para o rock nacional, é a retomada de um capítulo importante de um período em que o gênero buscava novos caminhos e encontrou, no peso e na intensidade, uma forma de se reinventar.
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