A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
Por Bruce William
Postado em 07 de abril de 2026
Pete Townshend nunca foi exatamente o tipo de veterano que faz uma crítica vaga só para parecer rabugento. Quando resolveu falar do que o incomodava em parte do rock mais vistoso dos anos 1980, ele foi bem específico. Em vez de ficar apenas resmungando contra calças justas, cabelos armados e a estética da MTV, puxou um comparativo direto: para ele, um R.E.M. valia mais do que 150 Def Leppards. A frase saiu numa entrevista à Guitar Player, em 1989, resgatada mais de duas décadas e meia depois pela própria revista.

A declaração foi a seguinte: "Eu trocaria 150 Def Leppards por um R.E.M. É simples assim." Antes, ele já tinha deixado claro que não se sentia à vontade com boa parte daquele universo de hard rock maquiado, dizendo que não curtia "homens de calça de lycra com cabelo daquele tamanho". Mas o mais interessante não era a gozação com o visual. Era o contraste que ele queria estabelecer entre dois jeitos bem diferentes de encarar o rock.
De um lado, Townshend enxergava bandas tecnicamente fortes, com grande apelo visual e um tipo de embalagem que dominou a década. Do outro, um grupo americano nascido em 1980, em Athens, na Geórgia, que tinha outra preocupação. O R.E.M. estreou em disco no começo da década, lançou "Murmur" em 1983 e virou um dos nomes mais importantes daquele rock alternativo que parecia caminhar longe das fórmulas mais espalhafatosas do período.
O elogio de Townshend ao R.E.M. não ficou só nessa provocação com o Def Leppard. Na mesma linha de raciocínio, ele disse que, quando ouviu a banda, seu coração disparou, e chamou aquilo de "música divina". Também observou que os integrantes não eram exatamente virtuoses, mas isso não importava para ele. O que importava era o efeito da música, a força da canção e a sensação de que ali havia alguma coisa real sendo comunicada.
Essa fala combina bastante com a própria trajetória de Townshend. Embora tenha ajudado a abrir caminho para o hard rock e para a guitarra mais pesada, ele nunca foi um guitarrista obcecado por pirotecnia. O centro da obra dele sempre esteve mais em composição, ataque, tensão e impacto emocional do que em exibicionismo técnico. Então, quando comparava Def Leppard e R.E.M., ele não estava apenas falando de preferência pessoal. Estava revelando o tipo de música que ainda o fazia sentir alguma coisa.
Townshend podia até reconhecer talento e habilidade em grupos do hard daquela fase, mas se o resultado não mexesse com ele, não adiantava muito. Entre uma máquina muito bem lubrificada e uma banda que fizesse o coração acelerar, ele já tinha escolhido de que lado queria ficar.
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