O álbum do AC/DC que tirou Malcolm Young do sério; "todo mundo estava de saco cheio"
Por Bruce William
Postado em 23 de abril de 2026
Depois de um disco como "Back in Black", qualquer banda correria o risco de tropeçar na própria sombra. No caso do AC/DC, a encrenca era ainda maior, porque o álbum de 1980 não apenas vendeu como água, mas também serviu como resposta à morte de Bon Scott e como afirmação de que Brian Johnson podia ocupar aquele posto sem transformar a banda em outra coisa. O problema é que, depois de chegar tão alto, vinha a pergunta chata: e agora?
AC/DC - Mais Novidades
A resposta foi For "Those About to Rock (We Salute You)", lançado em 1981. Hoje ele é lembrado com respeito por muita gente, especialmente por causa da faixa-título, mas Malcolm Young nunca escondeu que a experiência de fazer aquele disco foi tudo menos prazerosa. Para uma banda acostumada a resolver muita coisa na base do instinto, do riff e da porrada direta, o processo acabou virando uma novela de estúdio.
Segundo Malcolm, o principal problema não estava exatamente nas composições. Os irmãos Young continuavam sabendo escrever riffs como poucos, e o AC/DC ainda tinha aquela espinha dorsal muito clara: guitarras secas, batida firme e Brian berrando como se estivesse tentando arrancar o telhado do estúdio. O que atrapalhou foi outra coisa: a sensação de que o novo álbum precisava, de algum modo, enfrentar "Back in Black."
Esse tipo de pressão pode estragar a mão de qualquer banda, e parece ter sido isso que aconteceu ali. Em vez de simplesmente gravar um disco de AC/DC e seguir em frente, o grupo e a produção ficaram presos em um processo mais demorado, cheio de ajustes, retomadas e indecisões. A fórmula que antes funcionava quase por reflexo começou a ser examinada demais, e isso nunca costuma ajudar muito uma banda que vive justamente do impacto imediato.
Malcolm resumiu isso de forma bem direta em entrevista à Louder, republicada na Far Out: "Levou uma eternidade para fazermos esse disco, e ele soa assim. Está cheio de pedacinhos e não flui direito como um álbum do AC/DC deveria fluir. Tem alguns bons riffs ali, mas só há uma música de que gostamos, e é a faixa-título. Quando terminamos o álbum, tinha levado tanto tempo que acho que ninguém, nem a banda nem o produtor, conseguia dizer se aquilo soava certo ou errado. Todo mundo estava de saco cheio do disco inteiro."
"For Those About to Rock" não costuma ser visto como fiasco. Muito pelo contrário: há quem goste bastante do álbum, e a música de abertura já garante ao disco um lugar de destaque na história da banda. A faixa-título, com sua entrada mais contida, o crescimento gradual e os tiros de canhão no fim, virou um dos grandes momentos do AC/DC nos palcos e uma das músicas mais reconhecíveis da fase com Brian Johnson.
Talvez por isso o contraste seja interessante. O disco que o público recebeu como continuação forte de uma fase vitoriosa foi, por dentro, um trabalho que deixou Malcolm esgotado. E isso ajuda a lembrar uma coisa meio óbvia, mas que muita gente esquece: quando um álbum soa simples e direto, não significa que ele tenha sido fácil de fazer. Às vezes acontece justamente o contrário.
"For Those About to Rock" acabou ficando com esse status curioso. Não alcançou o impacto de "Back in Black", nem poderia, mas também não desapareceu como uma continuação sem importância. Para Malcolm Young, ele parecia um disco quebrado em partes, pesado demais para sair do lugar. Para o público, ficou como mais uma prova de que o AC/DC ainda sabia fazer barulho de primeira. O que aconteceu no meio do caminho foi o tipo de tormenta de estúdio que, felizmente para eles, quase nunca aparece quando a agulha cai no vinil.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As únicas quatro músicas próprias que o Guns N' Roses ainda não tocou ao vivo
Como o Queen, Sylvester Stallone e uma guitarra quebrada produziram o maior hit de 1982
O hábito nojento que virou demonstração de respeito nos shows punk dos anos setenta
O álbum mais subestimado de Iron Maiden, Metallica e Slayer, de acordo com a Metal Hammer
O álbum mais subestimado do Black Sabbath, de acordo com a Metal Hammer
As 12 melhores músicas do Saxon, segundo Biff Byford
Os 3 maiores riffs de guitarra dos anos 1970, segundo o lendário Eddie Van Halen
A opinião de Tony Iommi sobre "Heaven and Hell", clássico do Black Sabbath
Os 50 melhores discos de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Como Dave Mustaine entrou para o Metallica, segundo ele mesmo
Neil Young escolhe os três maiores compositores de todos os tempos
Derrick Green (Sepultura) participa do novo álbum do Black Pantera
A grande diferença entre Metallica e Guns N' Roses, segundo Matt Sorum
"Gaza", o forte manifesto político lançado pelo Marillion
O único assassino que ainda tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood



O cover do AC/DC que o Foo Fighters tocou pela primeira vez no Brasil
A estrada de verdade que inspirou o AC/DC a criar "Highway to Hell"
O álbum clássico que complicou a vida de Axl Rose; "é realmente muito difícil cantar aquilo"
O clássico do AC/DC considerado por Angus Young "um rock perfeito para um guitarrista"
15 coisas que você não imagina que coexistiram com bandas famosas
A estrada real que inspirou "Highway to Hell", segundo Brian Johnson
Canhão do palco cai do lado e assusta Brian Johnson durante show do AC/DC em Las Vegas
O rockstar que puxou uma faca para Malcolm Young nos anos setenta
David Coverdale, ex-Deep Purple, conta como eles expulsaram o AC/DC do palco em 1974
Escritor publica foto da mulher que inspirou "Whole Lotta Rosie", clássico do AC/DC


