O presidente norte-americano eleito graças à ajuda do rock and roll
Por Bruce William
Postado em 17 de abril de 2026
Hoje parece normal ver político tentando parecer "descolado", posando com artista, citando música ou se metendo em festival para ganhar algum verniz cultural. Em meados dos anos 1970, porém, a coisa ainda não funcionava assim. O rock carregava um peso simbólico muito maior, vindo de uma geração que tinha enfrentado Vietnã, protestos, desencanto e uma mudança forte de costumes. Foi nesse ambiente que Jimmy Carter apareceu como um caso diferente, relembra a Far Out: um candidato que não apenas tolerava esse universo, mas parecia entendê-lo um pouco melhor do que os políticos tradicionais de Washington.
Allman Brothers - Mais Novidades

A eleição de 1976 aconteceu num momento de ressaca americana. O país vinha de recessão, desemprego, desgaste político e da sombra ainda pesada do escândalo Watergate. Gerald Ford estava na Casa Branca, mas a sensação geral era de transição, cansaço e necessidade de renovação. Carter entrou nesse cenário como o sujeito que poderia representar algo novo, e parte dessa imagem ganhou força justamente porque ele soube se aproximar de uma cultura que até então não costumava andar tão de mãos dadas com o poder.
O apoio mais marcante veio do Allman Brothers Band. A banda não ficou só no aceno simpático de bastidor: ajudou a levantar dinheiro para a campanha quando ele ainda era um nome pouco conhecido nacionalmente. Isso tem peso. Não era apenas um artista famoso declarando voto, mas um grupo importante do rock sulista emprestando capital simbólico e ajudando a apresentar aquele candidato a um público mais amplo. Para um político vindo da Geórgia, isso valia ouro.
Carter também entendeu rápido que esse elo não precisava parar por aí. Passou a citar Bob Dylan em discursos, falava de sua admiração por Dylan e Willie Nelson, e foi construindo a imagem de alguém que não parecia completamente alheio ao mundo cultural que importava para muita gente mais jovem. Dylan lembraria depois que, quando conheceu Carter, ficou surpreso ao ouvir o político citar suas canções. Aquilo o deixou desconfiado no começo, mas a impressão mudou quando percebeu que não se tratava de pose vazia. Havia ali uma apreciação sincera.
É claro que seria simplista demais dizer que Jimmy Carter entrou na Casa Branca só porque gostava de rock. Ele ganhou também por causa do contexto político, do desgaste republicano e de uma necessidade difusa de mudança. Mas o rock ajudou a dar forma a essa mudança, ajudou a vender a ideia de um candidato menos distante, menos engessado e mais conectado com o país real fora dos corredores de Washington. Pela primeira vez, muita gente conseguia olhar para um presidenciável e enxergar gostos culturais minimamente familiares.
A importância disso talvez pareça menor hoje porque a política aprendeu a usar entretenimento como ferramenta de marketing até demais. Em 1976, não era assim. Havia algo relativamente novo em ver um candidato abraçado por nomes que vinham de um universo antes associado à contracultura, à juventude inquieta e a uma certa desconfiança em relação ao establishment. Carter percebeu que esse diálogo era possível e, mais do que isso, útil.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A canção de metal que é a "melhor música do mundo" de acordo com Jack Black
Qual é o sentido da vida? Geezer Butler, do Black Sabbath, responde
A canção de Neil Young que deixa Roger Waters praticamente sem palavras
Foo Fighters abrirá show do AC/DC logo após o Rock in Rio
Children of Bodom é anunciado como atração do Summer Breeze 2027
As 10 músicas mais rápidas do Metallica pela média de batidas por minuto
Para guitarrista, produtor é 99% responsável por sucesso do Def Leppard
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
Falece Barry Mitchell, ex-baixista do Queen
A proposta que Wolf Hoffmann fez para Udo seguir como vocalista do Accept
O mega-clássico do Led Zeppelin que Robert Plant passou a considerar menos relevante
A música dos Beatles que Paul McCartney considerava tão esquecível que mal lembrava dela
O lendário baterista com quem Keith Richards odiou tocar: "Não tocava p*rra nenhuma!"
O caótico dia que David Lee Roth foi acusado de ter sequestrado Ozzy Osbourne em 1978
5 versões cover tão ruins que te fazem odiar a versão original, segundo a Far Out



A lendária banda dos anos 1960 que Eddie Van Halen não entendia: "Poluído demais"
A cultuada banda de rock sulista que Eddie Van Halen detestava
10 discos ao vivo que mostram o coração do blues em sua forma mais direta
O presidente norte-americano eleito graças à ajuda do rock and roll
A banda que deu crédito de compositor ao roadie em um de seus sucessos


